Reforma de escritório: fatores que podem influenciar o ambiente de trabalho

VEJA COMO O ARQUITETO PODE AJUDAR NA MELHORIA DO SEU AMBIENTE DE TRABALHO COM UMA BOA REFORMA DE ESCRITÓRIO

POR BRUNO SOARES

história dos escritórios está intrin­se­ca­mente lig­a­da à história do tra­bal­ho for­mal e das relações de tra­bal­ho. Com o adven­to da indús­tria, os escritórios ficavam den­tro dos próprios galpões – geral­mente no alto de um mezani­no onde os donos das fábri­c­as podi­am fis­calizar a pro­dução de per­to. Nesse mod­e­lo de gestão, a refor­ma de escritórios era quase que desnecessária, uma vez que os fun­cionários desse ambi­ente uti­lizavam ape­nas mesas, cadeiras, armários e a máquina de datilo­gra­far.

Com o surg­i­men­to da com­putação e da telemáti­ca, veio um novo mod­e­lo de admin­is­tração de tra­bal­ho, no qual as funções admin­is­tra­ti­vas pre­cisam de novos ele­men­tos para fun­cionarem. A par­tir desse pon­to, pas­sa a ser necessário o uso de tomadas e cabea­men­tos de tele­fones. Alguns locais que antes aten­di­am per­feita­mente às neces­si­dades das funções admin­is­tra­ti­vas estavam defasa­dos ou não con­seguiam mais dar suporte à deman­da opera­cional.

Entre as décadas de 50 e 60, as relações de tra­bal­ho mudam dras­ti­ca­mente e começam a sur­gir grandes pré­dios com lajes cor­po­ra­ti­vas. Neles, a relação de tra­bal­ho e iden­ti­dade cor­po­ra­ti­va está mar­ca­da: os dire­tores das empre­sas ficam nas áreas nobres dos edifí­cios, em salas próx­i­mas às janelas e com luz nat­ur­al; os ger­entes, por sua vez, pos­suem suas próprias salas, porém menores e sem o bene­fí­cio da luz e da ven­ti­lação nat­ur­al; e os out­ros mem­bros da equipe ficam nas salas especí­fi­cas de seus depar­ta­men­tos.

A refor­ma ness­es ambi­entes acon­te­cia para adap­tar as grandes salas a essas neces­si­dades: divisórias de piso a teto, total­mente opacas, ou alguns vãos em fechamen­to de vidro; a ilu­mi­nação de lâm­padas flu­o­res­centes; e adap­tação dos pon­tos de tomadas e tele­fo­nia através de eletro­du­tos de sobre­por.

Atual­mente não há um úni­co con­ceito para refor­ma de escritório. O arquite­to e o cliente devem estar alin­hados com a men­sagem que a empre­sa dese­ja pas­sar a seus fun­cionários e clientes. A tendên­cia é cri­ar ambi­entes que refli­tam a imagem da empre­sa e ain­da con­sigam traz­er con­for­to e pro­du­tivi­dade.

Fatores que podem influenciar na reforma de escritórios

Programa de necessidades:

O pro­je­to deve con­seguir suprir toda a deman­da que o cliente pre­cisa aten­der: estações de tra­bal­ho, salas de reunião, sala da dire­to­ria, Cen­tral de Proces­sa­men­to de Dados (CPD), recepção, copa ou refeitório. Deve-se lis­tar todos os itens que o pro­je­to pre­cisa aten­der – para empre­sas em expan­são, o arquite­to pode cri­ar um lay­out flexív­el e de fácil repli­cação.

Infraestrutura:

Os novos lança­men­tos de cen­tros empre­sari­ais vêm com a infraestru­tu­ra mín­i­ma para o cliente. Como cada empre­sa segue um mod­e­lo de gestão e apre­sen­ta pri­or­i­dades difer­entes, os empreendi­men­tos apre­sen­tam par­tic­u­lar­i­dades que facili­tam a refor­ma do escritório.

- Piso rebaix­a­do em con­cre­to: Pode pare­cer estran­ho ini­cial­mente, mas isso prop­i­cia maior flex­i­bil­i­dade para alter­ações de lay­out e con­segue aten­der a infraestru­tu­ra (cabos de rede, tele­fo­nia e ener­gia) de acor­do com a deman­da do local. Usa-se um piso ele­va­do de pla­ca de cimen­to de 15 a 25 cen­tímet­ros (altura var­iáv­el) para nive­lar o escritório com a saí­da dos ele­vadores e demais aces­sos.

- Pé-dire­ito alto:tal fato pos­si­bili­ta que, durante a refor­ma do escritório, seja pos­sív­el escon­der a infraestru­tu­ra elétri­ca (cabos e con­duítes), pre­venção de incên­dio (sprin­klers) e ar-condi­ciona­do. Não são todos que são adep­tos do esti­lo indus­tri­al ou que não se impor­tam com a infraestru­tu­ra à vista, por isso recomen­da-se, se pos­sív­el, escon­der ou dis­farçar ess­es ele­men­tos com for­ro de ges­so ou mod­u­lar.

- Flex­i­bil­i­dade: muitos escritórios pas­sam por con­stante mudanças em cur­tos perío­dos de tem­po, impli­can­do em con­stantes refor­mas e ade­quações no espaço. Quan­do a empre­sa apre­sen­ta essa especi­fi­ci­dade acon­sel­ha-se o uso de ele­men­tos mod­u­la­dos (for­ro mod­u­lar e divisórias) no lugar de ele­men­tos fixos (for­ro de ges­so e pare­des dry-wall), tor­nan­do a mais práti­ca as mudanças no lay­out e não geran­do entul­ho.

- Con­for­to Ambi­en­tal (qual­i­dade do ambi­ente):este é um fator que impli­ca dire­ta­mente na pro­du­tivi­dade dos fun­cionários:

1. Ergono­mia: O arquite­to ou o design­er deve bus­car mesas que sigam o padrão de altura e de pro­fun­di­dade, pos­si­bil­i­tan­do a movi­men­tação das pes­soas de for­ma nat­ur­al; dê prefer­ên­cia a cadeiras giratórias e ajustáveis, que pos­sam se adap­tar a pes­soas com diver­sas alturas.

2. Acús­ti­ca: Em ambi­entes em que a comu­ni­cação pre­cisa ser efi­ciente, seja ela entre os próprios fun­cionários ou por meio de tele­fones, dê prefer­ên­cia a mate­ri­ais que ten­ham a capaci­dade de absorv­er o som do ambi­ente: car­pete mod­u­lar ou tapetes, for­ro com lã de rocha ou de vidro e per­sianas de teci­do.

3. Ilu­mi­nação: Deve-se seguir a NBR ISO/CIE 8995–1:2013que especi­fi­ca a ilu­mi­nação cor­re­ta de acor­do com o ambi­ente, evi­tan­do que as pes­soas pre­cisem forçar a visão no caso de ambi­entes escuros ou sofram com o ofus­ca­men­to em ambi­entes exces­si­va­mente claros.

4. Clima­ti­za­ção e ren­o­vação de ar: As grandes lajes com­er­ci­ais não per­mitem que todos os ambi­entes ten­ham tro­ca de ar e ven­ti­lação de for­ma nat­ur­al, por isso, busque um sis­tema de clima­ti­za­ção e tro­ca de ar para todo o escritório, com um úni­co con­t­role de tem­per­atu­ra.

Projeto de referência

O Super­Limão Stu­dio real­i­zou o pro­je­to de sede da Idea! Zar­vosusan­do um con­ceito mais indus­tri­al que bus­ca trans­mi­tir o que a empre­sa empre­ga em seus pro­du­tos.