PROJETO DE INTERIORES: DO SONHO PARA A REALIDADE

Você tem as ideias, tem vontade, disposição; chegou a hora de fazer seu projeto de interiores e arrumar seu espaço do jeito que sempre sonhou

POR RICARDO ROCA

Mes­mo nesse mun­do cor­ri­do, em que a gente faz coisas meio no automáti­co, ain­da man­ten­ho alguns hábitos. Quan­do me deparo com algu­mas palavras ou expressões, gos­to de procu­rar sua origem, a eti­molo­gia, ou, ao menos, de con­hecer seu sig­nifi­ca­do orig­i­nal. É nat­ur­al que, com o tem­po, as palavras mudem de sen­ti­do, gan­hem out­ros con­tornos, por isso tam­bém é tão impor­tante parar­mos de vez em quan­do para olhar ao redor e bus­car­mos a infor­mação ini­cial, a direção que nos ori­en­ta. Foi esse o caso com a expressão “pro­je­to de inte­ri­ores”.

    A palavra pro­je­to indi­ca a intenção de faz­er algo, realizar, mas seu sen­ti­do não está ape­nas na von­tade; ela car­rega con­si­go um delin­ea­men­to, um plano, a descrição detal­ha­da de um empreendi­men­to a ser real­iza­do. Pro­je­to de inte­ri­ores traz essa dimen­são, volta­da para a orga­ni­za­ção (ou reor­ga­ni­za­ção) dos espaços, de uma casa ou escritório, imóveis novos ou usa­dos, para morar ou alu­gar, do jeito que você sem­pre son­hou.

E aí vem um destaque para a palavra son­ho, tão usa­da e val­oriza­da atual­mente. Son­har é bom, sem dúvi­da, mas realizar é muito mais saboroso. Para ilus­trar nos­sa con­ver­sa e faz­er pen­sar um pouco, vale con­hecer Son­hos e Planos, do CPM 22. Cer­ta­mente a ban­da não esta­va pen­san­do em pro­je­to de inte­ri­ores, ao menos não no sen­ti­do de dec­o­ração e design, mas a inspi­ração poéti­ca aju­da a pen­sar.

Toda essa ‘intro­dução’ é para falar sobre pro­je­to de inte­ri­ores. Cer­ta­mente você tem ou já teve von­tade de con­stru­ir ou orga­ni­zar um espaço com as suas ideias e inspi­rações. Alguns exem­p­los para aju­dar: Ambi­entes de tra­bal­ho lin­dos e inspi­radores, da revista Casa Vogue; 37 ambi­entes feitos com dec­o­ração econômi­ca e cria­ti­va, por­tal Ter­ra ou a matéria sobre Dor­mitório de casal, da últi­ma edição da revista Dell Ambi­ente.

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Des­de cri­ança, pen­samos em como seria gos­toso ter uma cama beliche e nos aven­tu­rar­mos subindo e descen­do, cri­amos escon­der­i­jos pela casa, imag­i­namos como seria bom ter uma cas­in­ha de madeira na árvore do quin­tal de nos­sos avós; é o son­ho que nos ali­men­ta. Na infân­cia as restrições são muitas para tirar­mos as ideias do papel. Com o pas­sar dos anos, chega a hora, no entan­to, em que podemos vencer o imo­bil­is­mo e enfrentar a fal­ta de tem­po, din­heiro e até de con­hec­i­men­to especí­fi­co sobre design de inte­ri­ores e dec­o­ração de ambi­entes.

O pro­je­to de inte­ri­ores é um serviço con­trata­do em que con­s­ta todo o detal­hamen­to de como vai ficar um deter­mi­na­do imóv­el, cômo­do ou espaço. Segun­do teóri­cos, pro­je­to é um empreendi­men­to tem­porário, com iní­cio, meio e fim e segun­do nos­sas exper­iên­cias práti­cas é um empreendi­men­to que quer­e­mos muito ver final­iza­do, até mes­mo para que pos­samos cur­tir os resul­ta­dos. Por isso é tão impor­tante ter um pro­je­to, para que ten­hamos clareza dos pra­zos, recur­sos orça­men­tários que serão despendi­dos, req­ui­si­tos especí­fi­cos do que quer­e­mos e do que não quer­e­mos.

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É impor­tante destacar que, difer­ente­mente do que a palavra ‘inte­ri­ores’ pos­sa sug­erir, o pro­je­to de inte­ri­ores pode ser desen­volvi­do tam­bém para ambi­entes exter­nos como uma varan­da, chur­rasqueira ou pisci­na, por exem­p­lo. Sua importân­cia e uti­liza­ção são indi­cadas tam­bém para qual­quer tipo de con­strução, seja

res­i­den­cial, com­er­cial ou até mes­mo para obras maiores e pro­je­tos indus­tri­ais.

Sain­do do son­ho para o mun­do real, um bom pro­je­to de inte­ri­ores deve ser divi­di­do em algu­mas eta­pas: estu­do pre­lim­i­nar (brief­ing), antepro­je­to e pro­je­to exec­u­ti­vo. Vejamos como fun­ciona cada uma delas.

Estu­do pre­lim­i­nar: pos­sivel­mente é a eta­pa mais impor­tante, já que, se bem real­iza­da, elim­i­na a neces­si­dade de retra­bal­ho e ajustes pos­te­ri­ores. Tra­ta-se de um lev­an­ta­men­to exaus­ti­vo de infor­mações sobre esti­los, gos­tos e prefer­ên­cias do cliente, além do recon­hec­i­men­to do local, lev­an­ta­men­to das medi­das e car­ac­terís­ti­cas arquitetôni­cas e de con­ser­vação do espaço a ser projetado/modificado. Algo inter­es­sante é a indi­cação de refer­ên­cias (se pos­sív­el, por meio de ima­gens) por parte do cliente, aux­il­ian­do assim a com­preen­são per­fei­ta de suas expec­ta­ti­vas;

Antepro­je­to: elab­o­ra­do a par­tir das infor­mações lev­an­tadas no estu­do pre­lim­i­nar, o antepro­je­to traz a per­spec­ti­va de como ficará o ambi­ente em questão. Atual­mente é muito comum que seja desen­volvi­do e apre­sen­ta­do a par­tir de soft­wares em 3D, que lev­am um real­is­mo muito maior para o cliente. Veja um exem­p­lo de ani­mação tridi­men­sion­al. Tudo é apre­sen­ta­do para o cliente e acer­ta­do para que seja incluí­do / excluí­do / alter­ado para a elab­o­ração da ver­são final;

Pro­je­to Exec­u­ti­vo: é a parte mais demor­a­da, já que traz todas as infor­mações de for­ma detal­ha­da para o desen­volvi­men­to dos tra­bal­hos. Nesse doc­u­men­to con­stam as medi­das, especi­fi­cações sobre os reves­ti­men­tos, insta­lações elétri­c­as e hidráuli­cas, acaba­men­tos de con­strução rel­a­tivos à ilu­mi­nação, ges­so, mobil­iário, a neces­si­dade de demolição par­cial ou total de algu­ma con­strução e quais­quer out­ras infor­mações rel­e­vantes. Um aspec­to impor­tante que merece ser ressalta­do é que essa peça con­tribui para o bom anda­men­to de uma obra, já que fun­ciona como um ver­dadeiro guia.

Com isso em mãos, ain­da que ‘par­tir para a obra’ seja a eta­pa nat­ur­al na sequên­cia, ninguém é obri­ga­do a dar esse pas­so de ime­di­a­to; muitas vezes você pre­cisa realizar as coisas em eta­pas, o que tam­bém deve con­star do pro­je­to. Assim você sabe quan­to vai gas­tar, em que rit­mo, e que ajustes terá que faz­er em sua roti­na para min­i­mizar os descon­for­tos, e os profis­sion­ais que

vão atu­ar tam­bém con­seguem se orga­ni­zar ade­quada­mente em relação aos seus out­ros tra­bal­hos e ativi­dades.

O desen­volvi­men­to do pro­je­to é “ape­nas” um pas­so, grande, na direção de trans­for­mar seus son­hos em real­i­dade.

Mãos à obra!