A Ponte Golden Gate é muito mais do que você imagina

A BELÍSSIMA PONTE GOLDEN GATE, EM SAN FRANCISCO, CARREGA CONSIGO NÃO BELEZA, MAS TAMBÉM ALGUMAS CURIOSIDADES.

POR NATHÁLIA FAGOTTI

ponte Gold­en Gate local­iza­da no esta­do da Cal­ifór­nia, nos Esta­dos Unidos, liga a cidade de San Fran­cis­co ao norte. A ponte é o prin­ci­pal cartão postal da cidade e é con­sid­er­a­da uma das 7 mar­avil­has do mun­do. Antiga­mente, o pas­seio era um lon­go tra­je­to de bar­co e por isso o engen­heiro Joseph Strauss resolveu cri­ar a famosa ponte, cuja cri­ação foi fei­ta em 1933, jus­ta­mente na época em que a cidade pas­sa­va por uma grande depressão econômi­ca, com a taxa de desem­prego em torno de 25% e a dis­pu­ta por tra­bal­ho era grande.

Logo, foi necessário conec­tar a cidade com as regiões viz­in­has para desen­volver tam­bém uma econo­mia mel­hor ao redor da cidade de San Fran­cis­co. A con­strução da ponte foi fei­ta através da mão de obra local, onde todos os tra­bal­hadores rece­bi­am o incen­ti­vo de que “não era ape­nas uma ponte qual­quer, era uma das maiores obras da engen­haria mod­er­na”.

A ponte Gold­en Gate con­ta com 2737 met­ros de com­pri­men­to total, 1966 met­ros de com­pri­men­to sus­pen­so, sendo a dis­tân­cia entre as duas tor­res de 1280 met­ros.

Os trabalhadores

Quem vê a Ponte Gold­en Gate não imag­i­na que, na ver­dade, o local é rodea­do por mon­tan­has que foram cor­tadas por um anti­go rio que pas­sa­va por lá, mas de acor­do com alguns arti­gos não exis­tia nen­hum rio por lá, era ape­nas um vale seco. Com o der­re­ti­men­to do gelo cau­sa­do pelo fim da últi­ma Era Glacial, fez com que o nív­el do mar e as águas do oceano fos­sem de encon­tro com o rio, for­man­do a Baía de San Fran­cis­co. Hoje, 60% da chu­va e da neve que caem no Esta­do da Cal­ifór­nia ain­da escoam pela Ponte Gold­en Gate. Para os tra­bal­hadores da época, a parte mais difí­cil da con­strução acon­te­ceu debaixo da água, uma vez que para con­stru­ir as

estru­turas da torre sul, os mer­gul­hadores pre­cisavam descer 33 met­ros!

Quan­do desci­am, eles colo­cavam montes de dina­mites na base rochosa e depois removi­am com mangueiras de alta pressão o resto de mate­r­i­al que era solto. Os cilin­dros de ar portáteis ain­da não tin­ham sido inven­ta­dos, logo, a vida do mer­gul­hador depen­dia do bombear con­stante que era feito por uma enorme mangueira que fica­va na super­fí­cie. Naque­la época, a água do rio era escu­ra, tur­bu­len­ta e fria, o que tor­na­va ain­da mais difí­cil e arrisca­do o tra­bal­ho para aque­les operários.

Além da ded­i­cação debaixo das águas, era necessário que os tra­bal­hadores cam­in­has­sem nas alturas para con­tin­uar a con­strução da ponte, e além do receio que os tra­bal­hadores tin­ham, o cli­ma da época não aju­da­va muito, já que era frio, com nevoeiro e muito ven­to, tor­nan­do o tra­bal­ho ain­da mais inse­guro. No entan­to, os engen­heiros tin­ham uma cer­ta pre­ocu­pação com os tra­bal­hadores e obri­gavam

cada um deles a usar capacetes, ócu­los de pro­teção con­tra o ven­to, lanter­nas pre­sas à cabeça e más­caras para pro­te­ger do vapor de chum­bo. Out­ra curiosi­dade na con­strução da Ponte Gold­en Gate foi a insta­lação de uma rede de segu­rança durante a con­strução, que feliz­mente salvou 19 home­ns da morte. Os home­ns que escaparam da morte apel­i­daram-se de “clube a meio cam­in­ho do infer­no”.

Por trás de toda maravilha

Quem vê a enorme e incrív­el Ponte Gold­en Gate não imag­i­na que por trás de toda a sua mag­ni­tude há muitas curiosi­dades, algu­mas do pas­sa­do, out­ras do pre­sente, mas todas com pon­tos ruins e bons. Como por exem­p­lo, você sabia que a ponte é pin­ta­da de pon­ta a pon­ta todos os anos para não enfer­ru­jar? O que de fato pouquís­si­mas pes­soas sabem é que a Gold­en Gate é o lugar de suicí­dio mais usa­do no mun­do, baten­do recorde já no ano de 2014. A Fun­dação Brigde Rail disse que o número alar­mante de suicí­dios na Gold­en Gate faz com que haja a neces­si­dade de uma rede de pro­teção que

difi­culte os saltos por lá, mas de acor­do com a opinião da con­sel­heira da orga­ni­za­ção, Day­na Whit­mer, “Sei que ela não será insta­l­a­da tão cedo, e isso é o mais frus­trante.

Odi­amos ver mais gente de 17 anos saltan­do e mais gente de 86 anos saltan­do, não está cer­to.” As autori­dades não sabem explicar o alto número de mortes, mas afir­mam que os suicí­dios vêm em ondas, alguns anos estão em alta e já em out­ros não, e tam­bém afir­mam que em época de crise econômi­ca cos­tu­mam encon­trar empresários e mutuários inadim­plentes entre os sui­ci­das.

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Out­ra curiosi­dade da Ponte Gold­en Gate, é que ela vibra em dias de ven­tos muito fortes e ter­re­mo­tos. Há diver­sos relatos na inter­net de pes­soas que viven­cia­ram a estran­ha sen­sação da ponte bal­ançan­do, mas ape­sar do pequeno estran­hamen­to, não deix­am de elo­giar a incrív­el sen­sação de con­hecer a famosa Gold­en Gate.

Segun­do relatos de tur­is­tas, out­ro fenô­meno que acon­tece por lá e que difi­cul­ta a pas­sagem pela ponte é o forte nevoeiro. A boa notí­cia é que em dias assim, há uma sirene na torre sul que trans­mite um alto som que serve de aler­ta, que se repete a cada 18 segun­dos.

Califórnia cinematográfica

Cal­ifór­nia é muito con­heci­da pela sua sin­gu­lar­i­dade e pais­agens que mar­cam, mas além dis­so, a cidade tam­bém é con­heci­da no mun­do cin­e­matográ­fi­co e não é à toa que as fac­ul­dades de cin­e­ma de lá são as mais bem cotadas. O filme The Bridge é um doc­u­men­tário que rela­ta sobre os suicí­dios cometi­dos na ponte Gold­en Gate.

A equipe do doc­u­men­tário fil­mou a ponte durante um ano, vinte qua­tro horas por dia, e infe­liz­mente,

em pelo menos 2 vezes no mês algum indi­vid­uo se jogou. A par­tir daí a equipe pas­sa a con­hecer a história do indi­ví­duo, sua família, seus ami­gos e cole­gas de tra­bal­ho para ten­tar enten­der o que o lev­ou a come­ter tal ato. Emb­o­ra haja um doc­u­men­tário sobre a ponte, há tam­bém out­ros filmes bem famosos que foram grava­dos por lá.

Como não se lem­brar da icôni­ca cena de O Exter­mi­nador do Futuro: Gêne­sis?

E a fúria da cena em O Plan­e­ta dos Maca­cos?

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A cena de Godzil­la é mem­o­ráv­el, não é?

Pra quem gos­ta dos filmes do Hitch­cock com certeza irá se lem­brar da emblemáti­ca cena em que a per­son­agem Kim se ati­ra nas águas do Gold­en Gate

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Até aqui deu para perce­ber que nem só de filmes é lem­bra­da a ponte. Como disse o próprio engen­heiro Joseph Strauss que coor­de­nou a Gold­en Gate na época “Esta ponte não pre­cisa de lou­vor, elo­gio nem encômio.

Ela fala por si. Nós, que temos tra­bal­ha­do muito esta­mos gratos. O que a natureza ras­gou em pedaços há muito tem­po, o homem jun­tou hoje”.