Marcelo Rosenbaum mostra o design como forma de interação

MARCELO ROSENBAUM, FALA SOBRE SEU PROJETO: A GENTE TRANSFORMAUMA ABORDAGEM DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E SUA PERCEPÇÃO NA METODOLOGIA BATIZADA DEDESIGN ESSENCIAL

POR ELIZABETE FARIAS

Entrevista de Marcelo Rosenbaum mostra design como forma de interação

alar de Design na atu­al­i­dade é ter como refer­ên­cia Marce­lo Rosen­baum, um ícone de novos pro­je­tos, incluin­do a sus­tentabil­i­dade, que hoje é assun­to mundi­al. Rosen­baum, mostra uma nova for­ma de inter­ação entre a beleza do design, com novos sig­nifi­ca­dos e de como as pes­soas podem viv­er com mais autono­mia em uma trans­for­mação ino­vado­ra e cria­ti­va.

Em sua metodolo­gia DESIGN ESSENCIAL, ele bus­ca o res­gate do EU COMO PESSOA, des­per­tan­do e val­orizan­do o que a sociedade tem de mel­hor, que são seus val­ores de éti­ca, respon­s­abil­i­dade social e liber­dade. Marce­lo Rosen­baum é curador do Clube de Design do Museu de Arte Mod­er­na de São Paulo e sua pro­pos­ta é asso­ciar o val­or do design e do arte­sana­to, conectan­do o val­or do con­hec­i­men­to ances­tral ao uni­ver­so do design.

Entrevista de Marcelo Rosenbaum mostra design como forma de interação

Nesse pro­je­to enrique­ce­dor, que tra­ta a natureza como prin­ci­pal arte, Marce­lo Rosen­baum, ain­da faz even­tos mundi­ais, levan­do o que há de mel­hor nas flo­restas brasileiras, dan­do um toque espe­cial ao do arte­sana­to feito com pal­ha de car­naú­ba e out­ros mais, aju­dan­do a for­mar novos mestres em designs mod­er­nos e sus­ten­táveis.

Nos Work­shops real­iza­dos, leva a sua metodolo­gia na for­ma em que se baseia, usan­do val­ores em comum, através da ino­vação social e da evolução dos val­ores humanos. É o que nos infor­ma e enriquece muito mais seu tra­bal­ho ao ver a arte do design como qual­i­dade de vida, trazen­do a natureza para den­tro de cada um de nós.

Entrevista de Marcelo Rosenbaum mostra design como forma de interação

Entrevista

1 — Marcelo Rosenbaum, como se deu o início do projeto: A GENTE TRANSFORMA, uma abordagem de transformação social?

R: Chegou um momen­to em que eu resolvi dedicar mais tem­po aos pro­je­tos de impacto na sociedade. Para isso, come­cei enten­den­do e descon­stru­in­do o obje­to enquan­to design.
Design é um proces­so, uma for­ma de se rela­cionar com as pes­soas, incluin­do-as, ouvin­do-as. Há 6 (seis) anos cri­amos o A GENTE TRANSFORMA, um movi­men­to fun­da­men­tal para nos aprox­i­mar­mos de algu­mas comu­nidades tradi­cionais do Brasil, que são lab­o­ratórios para nos­so apren­diza­do e con­strução de uma metodolo­gia bati­za­da de “DESIGN ESSENCIAL”. A GENTE TRANSFORMA é um movi­men­to basea­do em três pilares: a ances­tral­i­dade, o olhar para ess­es saberes, que tam­bém pode ser vocação; a beleza em suas múlti­plas dimen­sões, na éti­ca, na estéti­ca, ness­es encon­tros; e a sus­tentabil­i­dade enquan­to autono­mia e liber­dade. Isso é uma metodolo­gia, na qual a gente descon­strói o obje­to, miran­do sem­pre a des­col­o­niza­ção do olhar, nesse exer­cí­cio de não nos colo­car­mos enquan­to col­o­nizadores, uma questão que está impreg­na­da na nos­sa alma. A gente chega, achan­do que o out­ro vai pre­cis­ar do que pre­cisamos, do que quer­e­mos, mas isso não é ver­dade.

2 — Em se tratando de inovação e criatividade, me fale um pouco sobre a economia criativa.

R: A econo­mia cria­ti­va é um con­ceito cri­a­do por John Howkins, é uma for­ma de trans­for­mar cria­tivi­dade em resul­ta­dos.
No A GENTE TRANSFORMA, vemos a econo­mia cria­ti­va como um setor que liga a ances­tral­i­dade ao mun­do atu­al, como uma for­ma de ger­ar impacto com: 1 — Sen­si­bi­liza­ção dos saberes ances­trais como val­or e ger­ador de sus­tentabil­i­dade, 2 — Novos arran­jos de negó­cio com resul­tantes de cidada­nia, 3 — Inclusão, auto recon­hec­i­men­to indi­vid­ual e bem-estar cole­ti­vo.

3 — Em seu perfil no site encontramos a seguinte frase: “Desde 2010 desenvolve a metodologia do DESIGN ESSENCIAL, que se traduz na capacidade de olhar para uma cultura”. Você pode falar mais sobre o assunto?

R: Cri­amos um ter­mo para isso que se chama DESIGN ESSENCIAL, que hoje é uma metodolo­gia apli­ca­da ao poten­cial de trans­for­mação a par­tir da essên­cia.
E o que é essen­cial? O que não é acessório. Aqui­lo que é útil e acessív­el para o maior número de pes­soas. O essen­cial tem função e história, man­ten­do o design a serviço de pes­soas. Enx­er­go o design como fer­ra­men­ta de trans­for­mação.

A GENTE HABITA

A GENTE PROVOCA

A GENTE DESPERTA

A GENTE REVELA

A GENTE COMUNICA

A GENTE LIBERTA

4 — Marcelo Rosenbaum, você é curador do Clube de Design do Museu de Arte Moderna de São Paulo, como foi conquistar esse mérito em sua carreira?

R: Fico muito lison­jea­do em ser con­vi­da­do do Museu para este tra­bal­ho que real­izei durante 2 anos con­sec­u­tivos. Na últi­ma edição do prêmio em 2016, con­videi cin­co design­ers para uma exper­iên­cia de imer­são em Várzea Queima­da, no sertão do Piauí, onde pud­er­am viven­ciar o DESIGN ESSENCIAL, tro­can­do con­hec­i­men­tos com os artesãos locais, inspi­ran­do-os a desen­volverem peças no local e nos con­hec­i­men­tos tradi­cionais usan­do mate­ri­ais locais como pal­ha de car­naú­ba, bor­racha de pneu e madeira. Pela primeira vez uma curado­ria tra­bal­ha com um tema, que tem como obje­ti­vo entre­gar para os cole­cionadores uma coleção alin­ha­da ao patrimônio cul­tur­al de uma comu­nidade brasileira, envol­ven­do os design­ers e artesãos no proces­so pro­du­ti­vo do design feito à mão.
Os clubes de cole­cionadores foram cri­a­dos para fomen­tar o cole­cionis­mo e incen­ti­var a pro­dução artís­ti­ca brasileira.
A min­ha pro­pos­ta foi asso­ciar a esta ini­cia­ti­va, a opor­tu­nidade de falar tam­bém sobre o val­or do design e do arte­sana­to, que conec­ta o val­or do con­hec­i­men­to ances­tral ao uni­ver­so do design.

5 — Você ministra cursos e palestras em eventos de design mundiais, com um novo olhar, sobre a possibilidades do design como ferramenta de transformação. Fale mais sobre essa possibilidade

Estar em even­tos que pen­sam o design como ino­vação é tam­bém a opor­tu­nidade de somar os apren­diza­dos e os con­hec­i­men­tos. Uma exper­iên­cia muito inter­es­sante acon­te­ceu em 2013 e 2014, quan­do fui con­vi­da­do para um Work­shop em O Domaine Bois­buchet, que é um caste­lo do sécu­lo XIX, situ­a­do no sudoeste da França, que se trans­for­mou em uma esco­la e pro­je­to cul­tur­al pres­ti­gia­da e que é uma grande refer­ên­cia no Design. A esco­la abre as por­tas aos verões para realizar aulas-mes­tras com os profis­sion­ais mais expoentes da arquite­tu­ra e design da atu­al­i­dade, em parce­ria com o Cen­tro Georges Pom­pi­dou e o Vit­ra Design Muse­um. Ness­es Work­shops, tive a chance de aplicar a nos­sa metodolo­gia, na for­ma como ela se baseia em um proces­so de descober­tas cole­ti­vas, usan­do val­ores em comum para alcançar novas for­mas cria­ti­vas através da ino­vação social e da evolução dos val­ores humanos.