Do Lambe-lambe à tape art, as artes plásticas se ampliam e quem ganha somos nós, apreciadores de uma decoração original

GABRIEL RIBEIRO, COM SUAS ORIGENS NO LAMBE-LAMBE, E MARCOS RYO, NAS TÉCNICAS DA TAPE ART. VOCÊ VAI CONHECER UM POUCO DA HISTÓRIA E DO ESTILO DESSES DOIS ARTISTAS PAULISTANOS.

POR ROBERTA CIVITARESE

Arte Gabriel Ribeiro e Marcos Ryorte é uma expressão de sen­ti­men­to, uma man­i­fes­tação pes­soal e cul­tur­al que se apre­sen­ta de for­ma estéti­ca. Pen­san­do na estéti­ca, dec­o­rar é tornar um lugar agradáv­el aos olhos, é enfeitar. Qual o resul­ta­do, então, quan­do uni­mos arte e dec­o­ração? É dar alma a um espaço, a qual­quer espaço… Seja uma casa, uma empre­sa ou mes­mo uma rua.

  Muitos con­ceitos vêm mudan­do nos últi­mos anos e com a arte não é difer­ente. Antes, pen­sar num ambi­ente dec­o­ra­do com obras de arte pare­cia pos­sív­el ape­nas para apre­ci­adores dis­pos­tos a desem­bol­sar altas quan­tias. Atual­mente, a rev­e­lação de novos artis­tas, pos­si­bili­ta amp­lo aces­so a obras e novas per­spec­ti­vas para a dec­o­ração.

  Nas ruas, tam­bém há trans­for­mações: pin­turas, cola­gens, grafites, que antes podi­am ser mal inter­pre­ta­dos, ago­ra se fir­maram como arte urbana. E da mes­ma for­ma, nesse cenário novos tal­en­tos vêm se desta­can­do.

  Gabriel Ribeiro e Mar­cos Ryo são dois grandes exem­p­los dessas mudanças de con­ceitos. Artis­tas que se expres­sam de for­mas difer­entes, o primeiro tem como pilar o lambe-lambe, pôsteres pro­duzi­dos com téc­ni­cas vari­adas e cola­dos em espaços públi­cos. O segun­do, a tape art, que usa fitas de vídeo como matéria-pri­ma.

Gabriel Ribeiro e o Lambe-lambe

  O paulis­tano Gabriel Ribeiro tem como for­mação o design­er grá­fi­co, já a arte está no sangue. A mãe pin­ta­va por hob­by, o tio era escul­tor. Para o Gabriel, a car­reira que seguiu foi um cam­in­ho nat­ur­al.

  “Quan­do me vi já esta­va tro­can­do os pre­sentes de aniver­sario por caixa de lápis de cor, cane­tas e mate­ri­ais de desen­ho… Na esco­la, acho que na 5a ou 6a série, tive uma pro­fes­so­ra de artes que me aju­dou muito. Ali con­heci téc­ni­cas e nuances pre­sentes na arte. Nun­ca pen­sei que pode­ria viv­er dis­so, até que aos 15, 16 anos, fiz um cur­so de fotografia pin hole na ONG Imagem Mág­i­ca”. A téc­ni­ca pin hole, que em tradução lit­er­al sig­nifi­ca ‘bura­co de agul­ha’, tem como con­ceito fotogra­far sem lente. As câmeras são caixas, latas ou out­ro tipo de obje­to que fun­cione como uma câmara escu­ra, ape­nas com um furo para a entra­da da luz.”

  O cur­so foi um mar­co para Gabriel Ribeiro. “Tive um pouco de História da Arte, come­cei a con­hecer mais e me aprox­i­mar de todo esse uni­ver­so. No final come­cei a tra­bal­har com eles na ONG e mais tarde me formei lá em um cur­so profis­sion­al­izante de fotografia”.

  A bagagem fotográ­fi­ca se man­teve pre­sente em seus tra­bal­hos. “Anos mais tarde tive con­ta­to com a arte dig­i­tal que se fundiu a ess­es out­ros ele­men­tos, chegan­do mais próx­i­mo da arte que real­i­zo hoje. Meus primeiros tra­bal­hos tin­ham a fotomon­tagem muito pre­sente em sua exe­cução.”

  O cur­so foi um mar­co para Gabriel Ribeiro. “Tive um pouco de História da Arte, come­cei a con­hecer mais e me aprox­i­mar de todo esse uni­ver­so. No final come­cei a tra­bal­har com eles na ONG e mais tarde me formei lá em um cur­so profis­sion­al­izante de fotografia”.

  A bagagem fotográ­fi­ca se man­teve pre­sente em seus tra­bal­hos. “Anos mais tarde tive con­ta­to com a arte dig­i­tal que se fundiu a ess­es out­ros ele­men­tos, chegan­do mais próx­i­mo da arte que real­i­zo hoje. Meus primeiros tra­bal­hos tin­ham a fotomon­tagem muito pre­sente em sua exe­cução.”

  O encon­tro com o lambe-lambe foi por aca­so e como deve ser, cam­in­han­do pelas ruas. “Era comum ver pro­pa­gan­das e out­doors, mas lem­bro bem quan­do vi um tra­bal­ho mais grá­fi­co do pes­soal do SHN e do Pro­je­to Chã (gru­pos de artis­tas com difer­entes téc­ni­cas). Aqui­lo abriu min­ha mente para pos­si­bil­i­dades desse novo suporte.”

Inspirações

  “Coisas sim­ples me inspi­ram. Geral­mente, cam­in­han­do e obser­van­do a cidade, seus detal­h­es, pes­soas, cores, tex­turas, sem­pre ouvin­do músi­ca, sou movi­do por ela”.

  A músi­ca é uma grande inspi­ração, a liga que une várias téc­ni­cas e dá for­ma às obras de Gabriel Ribeiro. “Min­ha arte é uma mis­tu­ra: fotografia, arte dig­i­tal, colagem dig­i­tal, colagem analóg­i­ca, ilus­tração, pin­tu­ra dig­i­tal, arte urbana. Sem­pre bus­co cri­ar uma fusão entre essa infinidade de téc­ni­cas e mate­ri­ais, mas um suporte que eu amo e sem­pre se faz pre­sente é o papel. Sou fasci­na­do pelas pos­si­bil­i­dades que ele me pro­por­ciona, seja com tex­tu­ra, cores, des­gastes…”

  Assim como sua arte, Gabriel tam­bém se vê como a junção de muitos ele­men­tos. “Tem um tre­cho de uma músi­ca, da Ban­da o F.U.R.T.O, que retra­ta min­ha visão sobre isso”.

Eu sou um misto de cinemas, convertidos com funk de laje, desenhos japoneses e pelada de rua, doce de Cosme e Damião versus televisão, Caixa de fósforo com MPC

Mistura de técnicas reflete mistura de sentimentos?

  “Na min­ha arte, sim. Tra­bal­ho peque­nas nuances, camadas e difer­entes sen­ti­men­tos através de téc­ni­cas que se unem para comu­nicar uma ideia prin­ci­pal. Min­ha série de ima­gens das gueixas por exem­p­lo, as obras não têm títu­lo, porém cada arte pro­duzi­da está rela­ciona­da a uma músi­ca escu­ta­da no proces­so de cri­ação, cada pince­la­da, cor, tex­tu­ra é como se fos­sem notas for­man­do a par­ti­tu­ra de uma nova canção.

O tempo da arte

  “Eu tra­go muitas coisas do meu con­ta­to com a fotografia analóg­i­ca como, por exem­p­lo, a questão de se pen­sar antes da exe­cução de uma arte ou da cap­tura de um momen­to. Quan­do come­cei, o filme fotográ­fi­co era caro e eu não tin­ha din­heiro para gas­tar com a fotografia, então, cada clique que real­iza­va era muito pen­sa­do e proces­sa­do. Acho que esse ‘tem­po’, esse ‘respiro’, tra­go comi­go até mes­mo nas min­has com­posições dig­i­tais. Por mais rápi­do que seja o proces­so, ele é tam­bém muito pen­sa­do e embasa­do, não crio nada sem um moti­vo ou sig­nifi­ca­do”.

  Se para muitos a fotografia é um meio de eternizar um momen­to espe­cial, para Gabriel, nos lambe-lambes, o que é eter­no é o proces­so de cri­ação e divul­gação do tra­bal­ho na rua. “Por out­ro lado, o lambe pos­si­bili­ta uma inter­ação com o espaço e com as pes­soas, algo muitas vezes não alcança­do na fotografia. Eu vejo nos lambes um res­gate da época em que era comum rev­e­lar­mos as fotos e com­par­til­har com os ami­gos… É isso que bus­co, que meus lambes sejam como uma foto rev­e­la­da, que façam as pes­soas pararem nem que seja um min­u­to para obser­var uma imagem”.

Lambe-lambe na rua

  “O proces­so de cam­in­har e escol­her o local é muito impor­tante, meu lambe não é car­ac­ter­i­za­do pela quan­ti­dade, não inun­do a cidade com eles; assim como as pes­soas, a arte pre­cisa de pausa para ser assim­i­la­da e sen­ti­da, por isso pen­so muito onde vou colar. A com­posição, tex­tu­ra da parede, cores entre out­ras coisas são fatores que levo em con­sid­er­ação. É o lado design­er pre­sente. Aci­ma de tudo, min­ha arte é uma ter­apia, democráti­ca e gra­tui­ta para eu e para quem se per­mite parar um momen­to em meio ao caos da cidade…”

Visão da arte

  “Acho que o cenário artís­ti­co urbano atu­al tem dois lados. Do mes­mo modo que a pro­dução está com um vol­ume cada vez maior de artis­tas, empre­sas e con­sum­i­dores que estão se conectan­do com a arte, vejo uma cor­rente de pes­soas (que se dizem) ‘artis­tas’ se aprovei­tan­do e ven­do a rua e arte urbana como uma espé­cie de tram­polim. A pre­ocu­pação com as men­sagens e qual­i­dade do que se colo­ca na cidade é deix­a­da de lado por momen­tos de fama e likes. Creio que o que fal­ta no atu­al momen­to é uma bus­ca maior em faz­er tudo com o coração, mais ver­dade!”

Marcos Ryo e a Tape Art

  For­ma­do em Design pela Fac­ul­dade de Belas Artes de São Paulo, Mar­cos Ryo cur­sou pós-grad­u­ação e tornou-se mestre na lin­ha de pesquisa Proces­sos Midiáti­cos, na Fac­ul­dade Cásper Líbero, onde é pro­fes­sor atual­mente. Sua história inclui sociedade numa pro­du­to­ra de vídeo nos anos de 1990, fato que ago­ra faz toda a difer­ença em sua car­reira artís­ti­ca, já que as muitas fitas de vídeo que restaram daque­la época são matéria-pri­ma para os tra­bal­hos de hoje.

  As obras de Mar­cos Ryo aten­dem às téc­ni­cas da tape art, esti­lo que abusa de desen­hos e for­mas geométri­c­as com o uso de fitas ade­si­vas. “No final dos anos 80, sem saber ou con­hecer por este nome, tape art, eu fazia desen­hos com fitas ade­si­vas. Na época, eu era prat­i­cante de bici­cross, e como não tin­ha grana para com­prar ade­sivos dec­o­ra­tivos, então eu mes­mo cor­ta­va, com estilete, fita ade­si­va pre­ta, bran­ca, ver­mel­ha, azul, cro­ma­da, para per­son­alizar a bike. Dec­o­ra­va os num­ber plates, os quadros, gar­fos, que são partes bike, e os capacetes”.

  Três décadas mais tarde, Ryo se viu pesquisan­do na inter­net um tipo de arte bem semel­hante à que usou nas épocas de bici­cross. A difer­ença, des­ta vez, esta­va na matéria-pri­ma, cas­setes de video­tape. “A tape art tem a car­ac­terís­ti­ca de entre­gar fig­uras geométri­c­as, sua natureza é assim. Tape art é uma téc­ni­ca diver­ti­da, acessív­el e ain­da pouco explo­ra­da no Brasil. E enten­do que foi o meu mate­r­i­al que deter­mi­nou a escol­ha des­ta téc­ni­ca, não eu”.

Do videotape à tape art

  “Durante muito anos eu tive pro­du­to­ra de vídeo e deste perío­do guardei um acer­vo enorme de fitas Beta­cam, fitas de vídeo profis­sion­ais que hoje já perder­am util­i­dade. Ain­da que cada cas­sete guarde memórias valiosas, eu pre­cisa­va de algu­ma maneira dar algu­ma des­ti­nação a tan­to mate­r­i­al. Como não pos­sui um proces­so for­mal­iza­do de reci­clagem, come­cei a pesquis­ar o que pode­ria ser feito com tudo aqui­lo; hoje eu pro­du­zo com um mix de téc­ni­cas, mas ini­cial­mente foi a tape art a primeira for­ma de expressão artís­ti­ca uti­liza­da. Come­cei exper­i­men­tan­do em super­fí­cies diver­sas, des­de fol­has de jor­nal, pas­san­do por papel craft, pas­san­do pelas pare­des do meu ateliê, e ago­ra faço em base de MDF”.

Ressignificar inspira

  “Acho que todo ser humano se ali­men­ta bem dos elo­gios, não é? Tem isso, mas muito da min­ha inspi­ração vem da obser­vação da vida, da von­tade de trans­for­mar e ressig­nificar mate­ri­ais, de olhar para uma obra e ver que aque­la mate­ri­al­i­dade não foi sim­ples­mente descar­ta­da. Eu olho para as coisas vel­has, ultra­pas­sadas, e imag­i­no quan­to tem­po, tra­bal­ho, e ener­gia foram colo­ca­dos para a con­fecção daqui­lo, quan­to tem­po a natureza lev­ou para ofer­e­cer aque­la matéria. Ofer­e­cer um final de ‘vida’ útil mais dig­no para estes mate­ri­ais me traz grande sat­is­fação, além dis­so, saber que a min­ha obra será ele­men­to de apre­ci­ação, que dec­o­rará uma parede, isso não tem preço”.

Artista tardio, mercado sedento

  “De fato, ten­ho canal­iza­do min­ha ener­gia na arte há pouquís­si­mo tem­po, um artista tar­dio”. Como pro­fes­sor, Mar­cos Ryo dava aula em mais de uma insti­tu­ição, porém, em 2016, uma das fac­ul­dades onde ele cumpria exten­sa car­ga de aulas não escapou da crise econômi­ca. “Acabei entran­do numa leva de mais de cem pro­fes­sores demi­ti­dos sem rece­ber um cen­ta­vo na rescisão. Isso quase me der­rubou, mas com as con­tas chegan­do e o bura­co do cheque espe­cial aumen­tan­do, eu tin­ha duas pos­si­bil­i­dades: me abater e recor­rer aos anti­de­pres­sivos ou ocu­par meu tem­po com algo que me man­tivesse com a cabeça saudáv­el. Isso com­ple­men­ta a respos­ta ante­ri­or, mas a sen­sação de ser nota­do neste cur­to espaço de tem­po me abriu os olhos para uma per­spec­ti­va bem legal. Nun­ca imag­inei que pudesse algum dia vender uma arte min­ha.”

  Sua primeira exposição foi real­iza­da numa gale­ria nos Jardins, em São Paulo, em out­ubro do ano pas­sa­do, e as ven­das foram um suces­so para a estréia. “Fui con­vi­da­do a expor, mon­tei a exposição sem grandes pre­ten­sões, mes­mo porque eu já esta­va achan­do o máx­i­mo ter uma exposição, exclu­si­va ain­da por cima… Mas incriv­el­mente mais de um terço das peças expostas foram ven­di­das. Isso foi demais pra mim, porque eu esta­va num lugar onde se leiloa gente do cal­i­bre de Tomie Ohtake, Caci­poré, Grana­to, e out­ros.

Arte e terapia

  “Na real­i­dade, esta arte que ven­ho pro­duzin­do acon­te­ceu mais como um mis­to de ter­apia, jun­ta­mente com a von­tade de ini­ciar um novo capí­tu­lo na min­ha história”. Curiosa­mente, ape­sar de sem­pre ter gosta­do de artes, Ryo não se vê como um bom desen­hista, nem ilustrador, mas acred­i­ta que foi um somatório de fatos e exper­iên­cias na sua vida, que fez o lado artís­ti­co se rev­e­lar.

  “Olho para o meu pas­sa­do e vejo um garo­to pobre, fil­ho de imi­grantes, pais sep­a­ra­dos, e cri­a­do por mul­heres guer­reiras(…) Uma imagem que creio ter sido o prin­ci­pal mote pelo inter­esse em arte foi um diplo­ma que a min­ha mãe guar­da­va com muito car­in­ho. Era o seu diplo­ma do ensi­no fun­da­men­tal, na época ginasial, que tin­ha sido feito a mão por ela própria. Aqui­lo tin­ha uma moldu­ra desen­ha­da e col­ori­da por ela de um jeito tão boni­to, e me mar­cou tan­to, que hoje, em tudo o que eu faço, ten­to colo­car a alma para que em algum momen­to a min­ha fil­ha veja e tam­bém ten­ha um pouco deste sen­ti­men­to que tive”.

Arte, decoração e reconhecimento

  Se Mar­cos Ryo tran­si­ta entre os mun­dos de pro­fes­sor uni­ver­sitário e das artes plás­ti­cas, ain­da com difi­cul­dade de se ver como artista, para Gabriel Ribeiro a sua auto-imagem no iní­cio tam­bém foi com­pli­ca­da. “A arte sem­pre esteve pre­sente na min­ha vida des­de muito novo, então, essa dis­tinção entre ser ou não ser artista pas­sa por um perío­do de aceitação. Dev­i­do à min­ha for­mação ser em Design, demor­ei para me enten­der e me aceitar como artista plás­ti­co”.

  A for­ma como enx­ergam suas obras tam­bém tem muito em comum: é pre­ciso pas­sar uma boa men­sagem, faz­er sen­ti­do… E no momen­to em que essa per­cepção alcança um públi­co que se iden­ti­fi­ca, recon­hece e val­oriza a arte, é quan­do começa a rec­om­pen­sa.

  Para Gabriel Ribeiro, ter suas obras cobiçadas por arquite­tos, por exem­p­lo, é mais que grat­i­f­i­cante. “Fico feliz com esse recon­hec­i­men­to, porém a parte que mais me atrai é a pos­si­bil­i­dade da tro­ca de con­hec­i­men­to e ideias. Vejo na arquite­tu­ra uma bus­ca pela har­mo­nia e equi­líbrio muito semel­hante a que eu procuro no meu tra­bal­ho, isso me faz quer­er ain­da mais me aprox­i­mar dessa área”.

  Já Mar­cos Ryo descreve como “incrív­el” a sen­sação de rece­ber men­sagens com pedi­dos de uma arte sua. “Cada um que com­prou uma peça min­ha lev­ou para casa não um obje­to de dec­o­ração, mas abraçou um con­ceito. Não me impor­ta se a obra foi adquiri­da com o intu­ito primeiro da dec­o­ração, mas saiu do meu ateliê um peça que pre­tende voltar o olhar para uma causa bem maior”.