Fechamento de varanda: Cuidados na valorização do ambiente

O QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE INVESTIR NA COLOCAÇÃO DE VIDROS PARA O FECHAMENTO DA VARANDA NO SEU APARTAMENTO.

POR ROBERTA CIVITARESE

par­ta­men­tos cada vez menores, mas com varan­das mais e mais atraentes. Como uma tendên­cia das con­struções nos últi­mos anos, as varan­das vêm gan­han­do destaque nas plan­tas. Seja usa­da como área de laz­er, espaço gourmet ou mes­mo escritório, um detal­he tem feito difer­ença para o mel­hor

aproveita­men­to do ambi­ente: o fechamen­to com vidros.

Mas todas as varan­das podem ser fechadas? Exis­tem regras? Riscos? Como escol­her o profis­sion­al para o serviço? Essas são questões fun­da­men­tais antes de começar a obra.

Sacada x Varanda

Antes de tudo, uma breve expli­cação sobre varan­das e sacadas. As varan­das são áreas livres do aparta­men­to, cober­tas e nor­mal­mente lig­adas a um cômo­do. Já as sacadas pro­movem um efeito mais tridi­men­sion­al, que salta da parede do edifí­cio.

Elas são lig­adas ao aparta­men­to por uma por­ta ou janela.

Inde­pen­den­te­mente de o seu espaço ser uma saca­da ou uma varan­da, as dicas a seguir o aju­darão em suas escol­has.

O que saber antes do fechamento da varanda

O primeiro pon­to é saber que exis­tem nor­mas a seguir. O advo­ga­do Felipe Clasen Dio­go, que tam­bém é síndi­co em seu con­domínio, aler­ta: “a Asso­ci­ação Brasileira de Nor­mas Téc­ni­cas, ABNT, com base na NBR 16.280, reg­u­la­men­tou as

refor­mas em unidades con­do­mini­ais e tam­bém nas áreas comuns de edi­fi­cações brasileiras, essa nor­ma dev­erá ser segui­da pelo síndi­co e tam­bém pelos pro­pri­etários que optarem por colo­car vidros nas sacadas”.

Infringir as regras pode acar­retar con­se­quên­cias civis e finan­ceiras para o respon­sáv­el, tais como:

  • Noti­fi­cação ao infrator, com base na Con­venção ou Reg­u­la­men­to Inter­no do Pré­dio, infor­man­do qual a infração cometi­da, dan­do pra­zo para que seja sana­da a irreg­u­lar­i­dade;
  • Se a noti­fi­cação não for cumpri­da, o morador deve ser mul­ta­do de acor­do com as dis­posições do Códi­go Civ­il (art. 1336 e 1337);
  • Se mes­mo com a noti­fi­cação e mul­ta o infrator não reg­u­larizar, pode-se entrar com ação na Justiça, uma medi­da extrema com intu­ito de obri­gar o cumpri­men­to da nor­ma e caso haja dano, a sua reparação.

- Legislação municipal

Cada municí­pio tem suas regras sobre a alter­ação de varan­das e sacadas. É impor­tante pesquis­ar antes para não cor­rer o risco de sofr­er penal­iza­ções ou ter alter­ação do val­or do IPTU, assim como a neces­si­dade de reg­u­lar­iza­ção do pro­je­to do imóv­el.

- Convenção do condomínio

De nada adi­anta plane­jar o fechamen­to de uma varan­da se o reg­i­men­to inter­no do con­domínio não per­mite esse tipo de obra. Por isso pro­cure con­hecer bem as regras antes de tomar qual­quer decisão. Se no seu pré­dio existe autor­iza­ção para o fechamen­to da varan­da, é pre­ciso ter em mãos o padrão deter­mi­na­do. É o padrão que vai dire­cionar o tipo e a espes­sura do vidro, assim como a dis­posição dele.

Caso o fechamen­to de varan­da ain­da não ten­ha sido aprova­do pelo con­domínio, é pre­ciso a autor­iza­ção em assem­bleia “pois, cabe aos condômi­nos aprovarem as regras para o envidraça­men­to de sacadas, além dos acessórios, como exem­p­lo dos tipos de vidros, espes­sur­as, cor, etc, evi­tan­do assim, que cada unidade faça do seu jeito e acabe por alter­ar a facha­da do pré­dio”, expli­ca Felipe.

O cor­po dire­ti­vo do edifí­cio deve prov­i­den­ciar a doc­u­men­tação jun­to a um engen­heiro – o pro­jetista da con­stru­to­ra é uma pos­si­bil­i­dade, mas não é obri­gatório. É para garan­tir que toda a estru­tu­ra este­ja den­tro dos padrões de segu­rança, que se tor­na necessária a emis­são de um lau­do téc­ni­co, que asse­gure a capaci­dade da varan­da para rece­ber os vidros.

Depois do doc­u­men­to, é pre­ciso mar­car uma assem­bleia com os moradores para votar a

autor­iza­ção e os detal­h­es do padrão das varan­das. A definição dess­es detal­h­es se tor­na mais fácil e as soluções mais fun­cionais quan­do há a asses­so­ria de um arquite­to. Sem con­tar que esse profis­sion­al tam­bém pode indicar empre­sas de con­fi­ança para a real­iza­ção do serviço.

Cabe ain­da a con­tratação de um engen­heiro para avaliar através de um lau­do a condição da estru­tu­ra, qual o lim­ite de peso que o local supor­tará, e elab­o­ração de uma ART-  Ano­tação de Respon­s­abil­i­dade Téc­ni­ca, doc­u­men­to que asse­gu­ra a obra real­iza­da”, detal­ha Clasen.

A ART servirá de parâmetro aos pro­pri­etários quan­do forem con­tratar a empre­sa espe­cial­iza­da na insta­lação. Lem­bran­do que além da ART do con­domínio, cada pro­pri­etário tam­bém dev­erá pos­suir uma ART – forneci­da geral­mente pela empre­sa de insta­lação – asse­gu­ran­do que a sua obra seguiu os parâmet­ros definidos.

Ingrid Cabral, arquite­ta de obra, ori­en­ta que muitas empre­sas já têm o engen­heiro que dá o lau­do téc­ni­co de segu­rança, o que pode facil­i­tar o tra­bal­ho. “A escol­ha da empre­sa que vai faz­er o serviço é essen­cial, porque o ide­al é ter o engen­heiro que vai fis­calizar a obra e se cer­ti­ficar do tra­bal­ho”, aler­ta a profis­sion­al.

Dicas para contratar

Esse é um dos seg­re­dos para evi­tar dor de cabeça durante a obra. Para encon­trar uma empre­sa que faça o fechamen­to da varan­da, aten­den­do às nor­mas com com­pro­me­ti­men­to e profis­sion­al­is­mo, a arquite­ta Ingrid Cabral dá algu­mas dicas.

1- Busque refer­ên­cias

É impor­tante procu­rar o históri­co da empre­sa, pes­soas que já con­trataram… Sem­pre cheque a rep­utação no Reclame Aqui. É pre­ciso saber se a empre­sa vai real­mente dar atenção necessária ao cliente, inclu­sive num caso de manutenção.

2 — Fique aten­to à qual­i­dade da matéria-pri­ma e do serviço

O cliente pode pedir cer­ti­fi­cação para acom­pan­har a pro­cedên­cia dos mate­ri­ais e saber se a empre­sa tem ISO (Inter­na­tion­al Orga­ni­za­tion for Stan­dard­iza­tion, ou Orga­ni­za­ção Inter­na­cional para Padroniza­ção) e se segue cor­re­ta­mente as nor­mas de segu­rança.

3 — Não pri­or­ize o preço

Tem muito cliente que acha que está fazen­do um bom negó­cio, mas na primeira chu­va entra água.

Especificações do vidro

Depois de defini­da a empre­sa que vai faz­er o fechamen­to da varan­da, é hora de medir o espaço. Por mais que o taman­ho da varan­da este­ja definido na plan­ta do aparta­men­to, podem exi­s­tir difer­enças, mes­mo que mil­imétri­c­as.

Por essa razão é pre­ciso faz­er as medições pre­cisas para a pro­dução das fol­has de vidro.

A empre­sa dev­erá seguir os padrões definidos em con­domínio, ref­er­entes à espes­sura, tipo de vidro e for­ma como as fol­has serão dis­postas.

- Tipos de vidro

Tem­per­a­do: é resistente a grandes vari­ações de tem­per­atu­ra, já que em sua fab­ri­cação o mate­r­i­al pas­sa por proces­so de choque tér­mi­co.

Lam­i­na­do: pos­sui uma pelícu­la de segu­rança, que impede a que­bra do vidro em pedaços. Ele é feito como um san­duíche, com duas fol­has de vidro unidas com a pelícu­la no meio.

- Espessura do vidro

A espes­sura influ­en­cia na resistên­cia do vidro. Nos andares mais altos, onde ven­ta mais, as fol­has de vidro devem ser mais espes­sas. As medi­das usadas são 8 mm ou 10 mm.

- Tipos de disposição dos vidros

Sis­tema Europeu: o alin­hamen­to das fol­has de vidro é feito num úni­co tril­ho e elas podem ser recol­hi­das em um dos can­tos da varan­da, ao serem giradas 90 graus. Esse é o sis­tema mais comum atual­mente, emb­o­ra a vedação con­tra água não seja a mais efi­ciente.

Sis­tema Ver­sa­tik: tam­bém pos­sui um úni­co tril­ho, porém, duas lat­erais fixas, o que tor­na a aber­tu­ra do vão menor que os out­ros sis­temas. Uma van­tagem é que a vedação fun­ciona muito bem. Esse tipo de dis­posição lem­bra uma grande janela.

Sis­tema Stan­ley: pode ter vários tril­hos. Eles são adi­ciona­dos de acor­do com o taman­ho do vão. Para deixar as varan­das com os vidros aber­tos, bas­ta deixar todas as fol­has atrás de um painel fixo. Os ven­tos são bem con­tro­la­dos.

Proteção de luminosidade

Depois do fechamen­to da varan­da com vidros é hora de pen­sar na pro­teção solar. Como comu­mente não é per­mi­ti­do nos con­domínios o uso de pelícu­las escuras nas fol­has de vidro, o que se faz é colo­car corti­nas, per­sianas ou telas para min­i­mizar a lumi­nosi­dade e aumen­tar a pri­vaci­dade do ambi­ente.

 A procu­ra por empre­sas que fazem esse serviço ocorre tan­to dire­to pelo cliente quan­to por indi­cação de arquite­tos. Não raro há empre­sas de insta­lação de vidros que tra­bal­ham em parce­ria com as de per­sianas. É necessário que seja fei­ta uma visi­ta para as medições da varan­da e definição do tipo de pro­teção que será feito.

O profis­sion­al leva amostras dos mate­ri­ais e mod­e­los que podem ser usa­dos. Em alguns, o nív­el de pro­teção solar varia em três níveis: 1%, 3% e 5%, per­centu­ais que rep­re­sen­tam o quan­to a lumi­nosi­dade é fil­tra­da no ambi­ente.

Para esta fase da obra, a arquite­ta Ingrid Cabral aler­ta que tam­bém é impor­tante ter uma empre­sa de con­fi­ança e até mes­mo um profis­sion­al que ava­lie a insta­lação. Uma das dicas é “ficar aten­to ao barul­ho quan­do a parte metáli­ca da per­siana fica baten­do na estru­tu­ra da varan­da”.