Afinal, o que é “design de interiores”? Descubra como um profissional dessa área pode ajudar você

COMO UM BOM PROJETO DE DESIGN DE INTERIORES PODE FAZER TODA A DIFERENÇA NA SUA OBRA E NO SEU BOLSO

POR RICARDO ROCA

O ter­mo design de inte­ri­ores ain­da é novo no Brasil, já que só foi ofi­cial­iza­do no final dos anos 90, com o Min­istério da Edu­cação definin­do a área de atu­ação do profis­sion­al desse seg­men­to; no entan­to, des­de sem­pre as pes­soas bus­caram cri­ar ambi­entes mais boni­tos e fun­cionais em suas casas, locais de tra­bal­ho e out­ros espaços de con­vivên­cia, con­tan­do ape­nas com o “bom gos­to”, sem as infor­mações ade­quadas e os con­hec­i­men­tos necessários para exercer a função.

Mas afi­nal, você sabe quais são as funções do profis­sion­al dessa área? Con­fi­ra no vídeo um pouco do que faz um design­er de inte­ri­ores.

Design de interiores? Afinal, o que é?  Descubra como um profissional dessa área pode ajudar você

O dita­do diz que quem casa, quer casa”, mas os hábitos mudaram, a sociedade se sofisti­cou, o mun­do evoluiu e não é mais só quem casa que quer casa; jovens que vão morar soz­in­hos, casais que se sep­a­ram, exec­u­tivos trans­feri­dos de cidade ou tra­bal­han­do em regime de home office, uma infinidade de pes­soas, nos mais vari­a­dos for­matos famil­iares, quer casa. E não qual­quer casa, mas algo per­son­al­iza­do, char­moso, práti­co, con­fortáv­el e fun­cional.

O tema entrou de vez na pau­ta do brasileiro, que se apaixo­nou pelo assun­to; o mer­ca­do perce­beu a deman­da por infor­mações, pro­du­tos e serviços rel­a­tivos ao design de inte­ri­ores e sur­gi­ram revis­tas seg­men­tadas, como a Casa Vogue, a Casa e Jardim e a própria Dell Ambi­ente, lojas espe­cial­izadas e uma série de real­i­ty shows sobre o tema, como o Dec­o­ra, o Extreme Makeover: Home Edi­tion, o Design Star e muitos out­ros.

Para enten­der­mos mel­hor, o design de inte­ri­ores pode ser vis­to como uma evolução do con­ceito de dec­o­ração. Evolução téc­ni­ca e estéti­ca, uma vez que além de novos mate­ri­ais e equipa­men­tos, novas pos­si­bil­i­dades e soluções, os hábitos e neces­si­dades das pes­soas tam­bém se mod­i­ficaram, e con­tin­u­am se

mod­i­f­i­can­do.

A ativi­dade do dec­o­rador é volta­da para a escol­ha dos móveis e a definição dos obje­tos dec­o­ra­tivos do ambi­ente, tais como corti­nas e tapetes, vasos, luminárias, mesas e cadeiras, den­tro de uma com­bi­nação de cores sug­eri­da pelo cliente; as alter­ações do ambi­ente, nesse caso, são mais super­fi­ci­ais. Já o design­er de inte­ri­ores, além do cur­so de grad­u­ação, em que vai obter for­mação e infor­mação sobre arquite­tu­ra, moda, engen­haria e artes, den­tre out­ras dis­ci­plinas, terá que se habil­i­tar pela ABD (Asso­ci­ação Brasileira de Design­ers de Inte­ri­ores) para atu­ar no mer­ca­do.

Des­ta for­ma, o design­er pode, além das funções do dec­o­rador, envolver-se em pro­je­tos maiores, estru­tu­rais. A aber­tu­ra ou fechamen­to de um espaço ou cômo­do, mod­i­fi­cações no sis­tema de ilu­mi­nação ou reves­ti­men­to, a tro­ca de pisos, a uti­liza­ção de ges­so ou de out­ros mate­ri­ais e o desen­volvi­men­to de móveis especí­fi­cos para as neces­si­dades ou pos­si­bil­i­dades do cliente são algu­mas das atribuições e respon­s­abil­i­dades desse profis­sion­al na con­strução de soluções difer­en­ci­adas.

O que um designer de interiores pode fazer por você?

Cer­ta­mente você tem algu­mas ideias sobre o que quer para mon­tar ou refor­mar sua casa ou escritório, sabe mais ou menos as cores e o tipo de mate­r­i­al que quer uti­lizar, pesquisou em revis­tas e con­ver­sou com alguns ami­gos que têm “bom gos­to”, cujas casas ou escritório você admi­ra; mas será que isso é o sufi­ciente para abrir mão do tra­bal­ho de um profis­sion­al espe­cial­iza­do?

Orga­ni­zar os espaços e esta­b­ele­cer relações entre o estéti­co e o fun­cional exige mais que “algu­ma infor­mação” sobre o tema. A elab­o­ração de um pro­je­to a par­tir da uti­liza­ção de soft­wares próprios para essa tare­fa é o primeiro pas­so e, para tan­to, são necessários out­ros con­hec­i­men­tos, inclu­sive no que diz respeito ao anda­men­to da obra, por meio do desen­volvi­men­to de um crono­gra­ma, com pra­zos bem definidos; a elab­o­ração de um orça­men­to que

norteie os gas­tos e prin­ci­pal­mente, cuidan­do daque­la que é a tare­fa mais assus­ta­do­ra em qual­quer obra, o geren­ci­a­men­to da mão de obra. Mes­mo uma obra peque­na exige o tra­bal­ho de pedreiros, marceneiros, pin­tores, eletricis­tas, ges­seiros e vários out­ros espe­cial­is­tas.

Somente esse geren­ci­a­men­to já seria impor­tante e jus­ti­fi­caria a con­tratação desse profis­sion­al para sua obra, mas os bene­fí­cios de con­tar com um design­er de inte­ri­ores são maiores quan­do pen­samos que ele vai atu­ar obser­van­do aspec­tos como ergono­mia, taman­ho e pro­porção, tipos de mate­ri­ais, pale­ta de cores e muitos out­ros já men­ciona­dos.

Uma pre­ocu­pação comum e equiv­o­ca­da é imag­i­nar que ao con­tratar esse profis­sion­al sua casa vai ficar boni­ta, pare­cen­do com aque­las “de revista”, mas sem vida, sem retratar sua per­son­al­i­dade. Vale esclare­cer que ele não tira as idéias de sua imag­i­nação: todo pro­je­to começa

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com um brief­ing, que é um doc­u­men­to elab­o­ra­do a par­tir das ori­en­tações e especi­fi­cações que o cliente faz, infor­man­do o que gos­ta e o que não gos­ta, o que é obri­gatório e o que é “proibido”, suas refer­ên­cias, cos­tumes, prefer­ên­cias, definin­do a ver­ba disponív­el, nego­cian­do os pra­zos dese­ja­dos, sem­pre con­sideran­do cada inte­grante envolvi­do no pro­je­to, seja no caso de uma família ou de uma empre­sa.

Tudo isso enquan­to a obra ain­da nem começou; quan­do tem iní­cio, é fun­da­men­tal que seja feito um geren­ci­a­men­to bem feito, com a escol­ha dos fornece­dores e da mão de obra espe­cial­iza­da, o lev­an­ta­men­to de preços, escol­ha de amostras que serão apre­sen­tadas ao cliente antes da exe­cução do serviço, as vis­i­tas ao local da obra, o con­t­role do crono­gra­ma e do orça­men­to, as idas às lojas de móveis e dec­o­ração, a gestão dos impre­vis­tos e a final­iza­ção do pro­je­to.

Essa eta­pa exige capaci­dade de coor­de­nação para sin­cronizar os

tra­bal­hos de maneira que uma ativi­dade não gere impactos neg­a­tivos nas out­ras, e sen­si­bil­i­dade para a gestão das pes­soas, uma vez que serão muitos os profis­sion­ais envolvi­dos com a obra.

Ago­ra que você já con­hece um pouco da roti­na de tra­bal­ho de um design­er de inte­ri­ores, res­ta saber ape­nas que o desafio que um bom profis­sion­al dessa área colo­ca a si mes­mo é o de har­mo­nizar e ger­ar a mel­hor inter­ação pos­sív­el entre as pes­soas e seus espaços, seja de mora­dia, de tra­bal­ho ou con­vivên­cia. Ao con­tratar esse profis­sion­al, ten­ha certeza de que, ape­sar de não morar ou tra­bal­har no local, ele vai ficar tão orgul­hoso ou mais que você com o resul­ta­do final. Bons tra­bal­hos ger­am um bom port­fólio; aliás, essa é a últi­ma dica: antes de qual­quer coisa, peça pra ver os tra­bal­hos já real­iza­dos pelo profis­sion­al.

Boa obra!