DECORAÇÃO DO QUARTO É MAIS QUE ESTILO

A importância de ter um profissional especializado para a criação do ambiente na decoração do quarto

POR ROBERTA CIVITARESE

Uma boa con­ver­sa com o cliente é a base para um pro­je­to bem-suce­di­do. Quan­do se tra­ta da dec­o­ração de um quar­to, então, esse apan­hado de infor­mações ini­ci­ais faz toda a difer­ença. O quar­to é onde bus­camos des­can­so e relax­am­en­to depois de um dia de tra­bal­ho e afaz­eres. Sen­tir-se bem e con­fortáv­el den­tro desse ambi­ente é deter­mi­nante tam­bém para a sua fun­cional­i­dade.

Mas que tipo de infor­mação pode aju­dar um arquite­to no desen­volvi­men­to da dec­o­ração do quar­to? Sim­ples, tudo o que envol­va a roti­na do cliente naque­le espaço. Os hábitos, as ativi­dades que desen­volve no ambi­ente, as mel­ho­rias que bus­ca, as peças e mate­ri­ais que pre­tende man­ter etc. Tam­bém é necessário con­hecer as dimen­sões do cômo­do, como a altura do pé

dire­ito, a dis­posição de por­tas e janelas, a incidên­cia de luz e ven­ti­lação do quar­to.

Nes­ta reportagem, nós vamos ori­en­tar sobre detal­h­es impor­tantes na hora de definir a dec­o­ração do quar­to e a importân­cia de se ter um profis­sion­al espe­cial­iza­do nesse tra­bal­ho. Para aju­dar com as ori­en­tações, a arquite­ta e urban­ista Car­ol Macoris par­tic­i­pa da pro­dução do con­teú­do. Car­ol atua na área há 15 anos e des­de 2010 pos­sui escritório próprio na cidade de Bau­ru, no inte­ri­or de São Paulo, onde tra­bal­ha de for­ma mul­ti­dis­ci­pli­nar, desen­vol­ven­do pro­je­tos nas áreas res­i­den­cial, com­er­cial e cor­po­ra­ti­va. A seguir, oito tópi­cos que abor­dam pon­tos impor­tantes na cri­ação do ambi­ente.

1- Onde começa o projeto para a decoração do quarto

O pon­to focal do quar­to é a cama, pois talvez seja o móv­el com maior dimen­são. É impor­tante posi­cioná-la, anal­isan­do o fluxo em torno dela e tam­bém con­sideran­do a local­iza­ção de janelas e por­tas.

Para Car­ol Macoris, a parede da cabe­ceira merece destaque, pois geral­mente ela é a parede que fica de frente para a entra­da ou para a maior parede do ambi­ente.

Por isso, uma dica que pode ser inter­es­sante é posi­cionar a cama de frente a uma parede, para pos­si­bil­i­tar a insta­lação de uma tv, por exem­p­lo, se fiz­er o esti­lo do cliente.

Após a escol­ha do tipo e local­iza­ção da cama, vem a definição dos demais ele­men­tos: armários, cabe­ceira, painel para tv, poltrona de apoio, ban­ca­da de tra­bal­ho ou maquiagem, etc.

revista-dell-ambiente-decoracao-quarto-estilo

2- Elementos que não podem faltar na decoração do quarto

Papel de parede é um item que, de um modo ger­al, fun­ciona muito bem. Mate­ri­ais nat­u­rais, como madeira e teci­dos, e ele­men­tos como tapetes e corti­nas tam­bém, pois con­fer­em uma atmos­fera aconchegante ao ambi­ente.

Uma opção mais acessív­el é par­tir para a pin­tu­ra com acaba­men­to fos­co, que tam­bém remete a um cer­to con­for­to.

Out­ra ori­en­tação é tra­bal­har uma ilu­mi­nação difer­en­ci­a­da, que val­orize os mate­ri­ais e obje­tos uti­liza­dos. Esse toque, para a nos­sa arquite­ta con­vi­da­da, é fun­da­men­tal. Para com­ple­men­tar a dec­o­ração, quadros e obje­tos que dia­loguem com o esti­lo de vida do cliente e tragam mais per­son­al­i­dade ao ambi­ente.

revista-dell-ambiente-decoracao-quarto-estilo

3- A adaptação do estilo com as necessidades

Como sabe­mos, o quar­to é o cômo­do da casa que fun­ciona como local de refú­gio, onde relax­am­os, restau­ramos as ener­gias e nos preparamos para um novo dia. E é pos­sív­el unir o con­for­to necessário, refletindo a per­son­al­i­dade do cliente no quar­to. Essa adap­tação é fei­ta por meio da diver­si­fi­cação dos mate­ri­ais que serão

uti­liza­dos: escol­ha de cores e padrões de papéis de parede, especi­fi­cação de per­sianas ou corti­nas com design ade­qua­do ao ambi­ente, com­posição de quadros, fotografias e obje­tos que rep­re­sen­tem a indi­vid­u­al­i­dade de quem vai dormir ali.

revista-dell-ambiente-decoracao-quarto-estilo

4- Quarto em sintonia com a casa

O quar­to deve refle­tir a per­son­al­i­dade de quem o ocu­pa, mas será que isso sig­nifi­ca man­ter uma sin­to­nia com o restante da casa? Não nec­es­sari­a­mente… Car­ol Macoris expli­ca que não é pre­ciso seguir o esti­lo dec­o­ra­ti­vo dos ambi­entes, você pode abusar das cores na sala e ter um quar­to mais neu­tro, por exem­p­lo. O con­for­to é a palavra-chave na dec­o­ração do quar­to: porém, como cada pes­soa tem o seu 

repertório, seus gos­tos, vale inves­ti­gar quais mate­ri­ais, cores e tex­turas reme­tem a essa sen­sação de con­for­to e apos­tar nelas de for­ma indi­vid­ual. De uma maneira ger­al, os mate­ri­ais nat­u­rais (teci­dos e madeiras), as cores claras e os acaba­men­tos fos­cos nos trazem essa per­cepção.

revista-dell-ambiente-decoracao-quarto-estilo

5- Recursos na decoração do quarto

Ulti­ma­mente, o recur­so mais uti­liza­do é a per­son­al­iza­ção do ambi­ente por meio da marce­nar­ia. Difer­entes padron­a­gens de papel de parede e ilu­mi­nação difer­en­ci­a­da com­ple­men­tam o visu­al e val­orizam o espaço.

A arquite­ta desta­ca os painéis de cabe­ceira, que dobram até o teto com ilu­mi­nação indi­re­ta. Out­ro recur­so é a apli­cação de pla­cas de espel­ho, que con­tribuem para a sen­sação de ambi­ente maior.

Madeiras em tons nat­u­rais, que dialogam com a

pale­ta de cores escol­hi­da na dec­o­ração do quar­to tam­bém pos­suem grande adesão, pois são neu­tras.

Uma dica inter­es­sante se você bus­ca uma atmos­fera mais desco­la­da e con­tem­porânea, é usar cri­a­dos-mudos difer­entes um do out­ro, assim como quadros apoia­dos na cabe­ceira ao invés de pen­dura­dos. Lâm­padas de fil­a­men­to no lugar de pen­dentes com­ple­men­tam esta estéti­ca.

revista-dell-ambiente-decoracao-quarto-estilo

6- A importância da iluminação

A ilu­mi­nação tem papel fun­da­men­tal na dec­o­ração, pois é ela que val­oriza todos os mate­ri­ais e obje­tos escol­hi­dos. Num pro­je­to de dec­o­ração do quar­to exis­tem dois pon­tos impor­tantes: a ilu­mi­nação téc­ni­ca e a ilu­mi­nação dec­o­ra­ti­va. É por meio da ilu­mi­nação téc­ni­ca que cri­amos difer­entes cenários, tor­nan­do o ambi­ente sem­pre dinâmi­co e recep­ti­vo aos diver­sos usos, além de acol­he­dor.

Para quar­tos, a Car­ol sug­ere uma ilu­mi­nação mais quente, em tons amare­la­dos, que trazem aconchego.

A ilu­mi­nação dec­o­ra­ti­va com­ple­men­ta a ilu­mi­nação téc­ni­ca e traz o ape­lo visu­al que dialo­ga com o design do ambi­ente, como pen­dentes ao lado dos cri­a­dos ou um lin­do lus­tre cen­tral.

7- Estilo em quartos pequenos

É pos­sív­el, sim, tra­bal­har um ambi­ente pequeno e mes­mo assim con­ferir-lhe mui­ta per­son­al­i­dade. Já cita­mos, inclu­sive, que um ali­a­do impor­tante nestes casos é a marce­nar­ia. Com um mobil­iário desen­hado especi­fi­ca­mente para aque­le espaço, con­segue-se val­orizar e aproveitar cada can­tinho, tor­nan­do-o fun­cional e aconchegante.

Espel­hos e vidros reflex­ivos, mate­ri­ais claros e padron­a­gens em lin­has hor­i­zon­tais (veios da madeira da marce­nar­ia, estam­pa do papel de

parede e per­sianas), bem como móveis e cabe­ceiras mais baixos aux­il­iam tam­bém na sen­sação visu­al de que o ambi­ente é maior.

Para finalizar, uma opção inter­es­sante é inve­stir em cabe­ceira hor­i­zon­tal fei­ta sob medi­da que ocupe toda a exten­são da parede (e não somente a largu­ra da cama) tam­bém pos­sui um resul­ta­do incrív­el!

revista-dell-ambiente-decoracao-quarto-estilo

8- Já em quartos grandes…

Em cômo­d­os muito amp­los é pre­ciso pen­sar no lay­out de for­ma a preencher o espaço como um todo. Uma saí­da inter­es­sante é cri­ar ambi­entes dis­tin­tos da área de des­can­so: uma área de leitu­ra, um espaço para maquiagem ou um pequeno escritório podem ser boas opções.

Um exem­p­lo: uma poltrona com pufe e uma luminária de piso ou uma ban­ca­da exten­sa em frente à cama preenchem o espaço e con­fer­em

uma pro­porção mais ele­gante.

Neste tipo de ambi­ente, é impor­tante tra­bal­har ele­men­tos mais altos (cabe­ceiras, painéis de madeira, corti­nas do chão ao teto), pois eles equi­li­bram a difer­ença de dimen­sões (largu­ra e com­pri­men­to grandes e altura peque­na), pro­por­cio­nan­do uma per­spec­ti­va mais har­môni­ca ao espaço.