Decoração de ambientes: mude sua casa ou escritório gastando pouco

DECORAÇÃO DE AMBIENTES COM ESTILO E CRIATIVIDADE ADAPTA OS ESPAÇOS AO SEU ESTILO E ÀS NOVAS FASES DA VIDA

POR RICARDO ROCA

Na últi­ma edição falam­os sobre o con­ceito de design de inte­ri­ores e sobre como um bom pro­je­to nes­sa área pode faz­er a difer­ença em sua obra. Ago­ra, vamos um pas­so adi­ante, com a dec­o­ração de ambi­entes, o “pós-obra” e seu impacto no visu­al (e no bol­so) de quem quer deixar seus espaços mais boni­tos, con­fortáveis e fun­cionais.

Den­tre uma infinidade de detal­h­es e con­ceitos, a regra de ouro, com­par­til­ha­da por dec­o­radores, design­ers e arquite­tos, é que qual­quer que seja o espaço, ele deve ter “a sua cara”. E nesse caso, não se tra­ta ape­nas do visu­al, mas de ser capaz de trans­for­mar um ambi­ente de for­ma a esta­b­ele­cer uma sin­to­nia com quem vai uti­lizá-lo no dia a dia. Pequenos ajustes e detal­h­es podem

faz­er toda a difer­ença entre morar e morar bem ou con­tribuir para aumen­tar a pro­du­tivi­dade em um espaço de tra­bal­ho, por exem­p­lo.

Quan­do se fala em dec­o­ração de ambi­entes é comum que se imag­ine algo caro, supér­fluo e, muitas vezes, padroniza­do; nada mais dis­tante da real­i­dade. É só con­sid­er­ar que pas­samos a maior parte de nos­sas vidas ness­es espaços casa-tra­bal­ho para perce­ber que vale a pena dedicar um tem­po na dec­o­ração de ambi­entes ou inve­stir num profis­sion­al para exe­cu­tar essa tare­fa. E, com cria­tivi­dade, pode sair bem mais em con­ta do que você imag­i­na, já que nos últi­mos anos o reaproveita­men­to de mate­ri­ais e peças pas­sou a ser uma car­ac­terís­ti­ca bas­tante explo­ra­da.

Hoje em dia são muitos os canais ou blogs espe­cial­iza­dos em dec­o­ração; dá para encon­trar vídeos com dicas para dec­o­rar pequenos espaços ou sobre dúvi­das comuns na escol­ha das corti­nas, além de pági­nas inter­es­santes como a Remobília, espe­cial­iza­da no con­ceito faça-você-mes­mo e em reuti­liza­ção de mate­ri­ais ou a Moran­do Soz­in­ha, que com­par­til­ha infor­mações úteis para quem quer e pre­cisa se virar soz­in­ho. Se você curte o tema, pode via­jar nesse mar de infor­mações que o mun­do de hoje ofer­ece, e voltar para a Dell´Ambiente para arrematar seus con­hec­i­men­tos.

Algo que pre­cisamos destacar é que mui­ta gente con­funde a função do dec­o­rador com a do design­er de inte­ri­ores, mas há difer­enças

impor­tantes, como já apre­sen­ta­mos na Edição 01 da revista Dell´Ambiente. Enquan­to o design­er tam­bém se pre­ocu­pa com questões estru­tu­rais, o dec­o­rador vol­ta suas atenções para a har­mo­niza­ção estéti­ca e a usabil­i­dade dos espaços, definin­do móveis, acessórios, adornos e uten­sílios, além de cores, tex­turas e a con­cepção da ilu­mi­nação, por exem­p­lo. Não se pode diz­er que um dess­es profis­sion­ais é mais impor­tante que o out­ro, mas que atu­am de maneira com­ple­men­tar, em aspec­tos difer­entes.

O tra­bal­ho de dec­o­ração de ambi­entes vai muito além do aspec­to visu­al, com pre­ocu­pação rel­a­ti­va ao con­for­to tér­mi­co, acús­ti­ca e a prati­ci­dade que vai ger­ar aos usuários.

Mercado em expansão

Entre os anos de 2004 e 2014, a econo­mia brasileira apre­sen­tou vig­oroso cresci­men­to e bons índices de inclusão social; nos últi­mos anos, fomos na direção opos­ta, com forte crise. O mer­ca­do de dec­o­ração, no entan­to, parece não ter sido tão impacta­do pela fase difí­cil, como mostra pesquisa da Mul­ti­Crédi­to, que indi­ca que em 2016 o brasileiro investiu 21% a mais no seg­men­to de dec­o­ração res­i­den­cial.

Uma das razões que expli­cam essa resistên­cia do setor foi o inves­ti­men­to das empre­sas no

desen­volvi­men­to de novos pro­du­tos, como o papel de parede auto­colante ou as luminárias gaio­la, e em novos con­ceitos e tendên­cias, como:

- o mix de esti­los, mesclan­do rús­ti­co com clás­si­co, tradi­cional com mod­er­no etc.;

- o esti­lo indus­tri­al, com mobil­iário de fer­ro, vigas e tubu­lações aparentes; lem­bran­do sem­pre que a parte téc­ni­ca das insta­lações elétri­c­as, até mes­mo por uma questão de segu­rança, deve ser fei­ta sem­pre por espe­cial­is­tas da área;

- Explo­ração das pare­des, mesclan­do tapetes, papeis estam­pa­dos ou lisos; mix de quadros; uti­liza­ção de tin­tas espe­ci­ais que per­mitem que esse espaço vire uma “lousa” onde você pode escr­ev­er poe­sias, fras­es, tre­chos de músi­cas etc.; pratos, flâ­mu­las, plan­tas; ou brin­can­do com vários dess­es ele­men­tos para a ger­ação de efeitos pes­soais;

- Aproveita­men­to dos espaços, com prateleiras altas para obje­tos dec­o­ra­tivos, pen­dentes com luminárias em espaços diver­sos, cul­ti­vo de

plan­tas de diver­sos taman­hos em suportes ines­per­a­dos e práti­cos, ideais para quem não é expert e não tem tem­po para ficar cul­ti­van­do;

- Obje­tos arte­sanais, que você pode tan­to garim­par em feir­in­has, brechós e antiquários quan­to os feitos por você mes­mo, algum ami­go ou par­ente habili­doso. São os chama­dos hand­mades, com destaque para tricô e crochê, que caíram de vez no gos­to dos espe­cial­is­tas e são tendên­cia.

Do it yourself”, a era do Faça você mesmo

Ten­do em vista que as pos­si­bil­i­dades são inúmeras, se você não tem mui­ta exper­iên­cia ou sente-se inse­guro (a) para plane­jar e realizar a dec­o­ração de algum ambi­ente de sua casa ou escritório, pode começar aos poucos. Vive­mos em um momen­to que per­mite um pouco mais de ousa­dia e “sair dos padrões” já não é mais vis­to como uma here­sia. Tan­to o mer­ca­do quan­to a sociedade como um todo já aceitam mel­hor e até estim­u­lam as ini­cia­ti­vas e o desen­volvi­men­to das habil­i­dades indi­vid­u­ais.

Uma pos­si­bil­i­dade inter­es­sante para começar a se desen­volver nes­sa área e dar toques pes­soais para seus ambi­entes é começar com pequenos acessórios ou peque­nas refor­mas; um blo­co de con­cre­to pode virar um suporte para gar­rafas; uma caixa de fru­tas pode ser trans­for­ma­da em um cri­a­do-mudo; obje­tos “encosta­dos” podem ser refor­ma­dos e ofer­e­cer out­ros tipos de uso.  O lim­ite é a cria­tivi­dade e, des­ta for­ma, se você não ficar sat­is­feito com o resul­ta­do, valeu a exper­iên­cia e o apren­diza­do.

Se, no entan­to, der cer­to, quem sabe você não aca­ba por desco­brir um novo hob­by?!

Como se vê, há uma gama enorme de recur­sos disponíveis, mas não bas­ta empol­gação, é pre­ciso ter aptidão para explo­rar as múlti­plas pos­si­bil­i­dades. O con­ceito de bom gos­to é muito sub­je­ti­vo. Cer­ta­mente há os que querem estar “na moda”, sin­toniza­dos com as tendên­cias descritas pelos espe­cial­is­tas, é legí­ti­mo e pode ger­ar óti­mos resul­ta­dos. Há, no entan­to, muitos que bus­cam algo mais atem­po­ral, cujo obje­ti­vo é cri­ar um espaço agradáv­el e bas­tante per­son­al­iza­do, trazen­do sua história em cada obje­to ou escol­ha dec­o­ra­ti­va.

Em todas essas situ­ações é impor­tante ter boa capaci­dade de obser­vação, com­par­til­har decisões com pes­soas próx­i­mas ou con­tar com um dec­o­rador de ambi­entes, profis­sion­al espe­cial­iza­do para essa ativi­dade.

Mãos à obra!