Arquitetura de Interiores, soluções especiais para sua obra

AS DIFERENÇAS NOS CONCEITOS E NA ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE ARQUITETURA DE INTERIORES, DESENVOLVIMENTO DE PROJETO, DESIGN E DECORAÇÃO

POR RICARDO ROCA

Arquite­tu­ra (sub­stan­ti­vo fem­i­ni­no) – Dicionário Houaiss “arte e téc­ni­ca de orga­ni­zar espaços e cri­ar ambi­entes para abri­gar os diver­sos tipos de ativi­dades humanas, visan­do tam­bém a deter­mi­na­da intenção plás­ti­ca”

Nas primeiras edições de sua Revista Dell’Ambiente você con­heceu con­ceitos como o de Design de Inte­ri­ores e de Pro­je­to de Inte­ri­ores, anál­o­gos ao que ver­e­mos nes­sa edição, a Arquite­tu­ra de Inte­ri­ores.

Para aju­dar a com­preen­der mel­hor essas difer­entes funções você pode assi­s­tir a alguns vídeos que sele­cionamos: Arquite­tu­ra ou Design de Inte­ri­ores – Veja as difer­enças entre as profis­sões, com uma expli­cação mais dire­ciona­da aos inter­es­sa­dos em atu­ar e se apro­fun­dar profis­sion­al­mente nes­sas áreas e Arquite­to, Design de Inte­ri­ores ou Dec­o­rador?, que extrap­o­la os aspec­tos acadêmi­cos e apre­sen­ta tam­bém algu­mas das car­ac­terís­ti­cas e funções práti­cas de cada um dess­es profis­sion­ais.

Uma das primeiras e mais impor­tantes difer­enças é o aspec­to legal, que per­mite que arquite­tos pos­sam inter­ferir na obra físi­ca, pro­pon­do alter­ações estru­tu­rais (em pare­des, no piso, aber­turas e ampli­ações de espaços, even­tu­ais demolições etc.). Dessa for­ma, sua atu­ação é sem­pre ‘mon­i­tora­da’ por um Reg­istro de Respon­s­abil­i­dade Téc­ni­ca (RRT), doc­u­men­to com infor­mações do pro­je­to, o que lhe atribui maior respon­s­abil­i­dade do pon­to de vista jurídi­co. No caso de pare­des que com­pon­ham a estru­tu­ra de uma obra, ape­nas arquite­tos e engen­heiros (não con­tem­pla­dos nes­sa matéria) têm a pre­rrog­a­ti­va legal de pro­por mod­i­fi­cações; design­ers de inte­ri­ores e dec­o­radores podem sug­erir esse tipo de ação ape­nas em ele­men­tos não estru­tu­rais (uma parede que ‘ape­nas’ dívi­da espaços de um imóv­el, por exem­p­lo), o que aca­ba por dire­cionar suas atu­ações para aspec­tos mais práti­cos e estéti­cos.

O arquite­to tam­bém pos­sui uma for­mação mais ampla, real­iza­da em cin­co anos, com dis­ci­plinas voltadas tan­to para con­hec­i­men­tos téc­ni­cos quan­to para a for­mação cul­tur­al e aspec­tos estéti­cos. Há que se difer­en­ciar tam­bém o arquite­to (mais gen­er­al­ista) do profis­sion­al da arquite­tu­ra de inte­ri­ores, pois ain­da que a for­mação seja a mes­ma, este dire­ciona sua atu­ação para o ‘inte­ri­or’ dos espaços e aca­ba por desen­volver-se mais nos aspec­tos estéti­cos, bem como na gestão dos cus­tos e val­ores investi­dos pelo cliente. Nesse caso assemel­ha-se, em algu­mas situ­ações, com a atu­ação do design­er de inte­ri­ores e do dec­o­rador.

O profissional da arquitetura de interiores

Muitas de suas ativi­dades tam­bém podem ser desen­volvi­das pelos design­ers de inte­ri­ores e dec­o­radores, mas a própria for­mação acadêmi­ca dos profis­sion­ais dessas áreas já apre­sen­ta grande difer­ença. Durante a grad­u­ação, o futuro arquite­to vê temas como desen­ho artís­ti­co, gestão de pro­je­tos, artes plás­ti­cas, história da arquite­tu­ra, resistên­cia dos mate­ri­ais, gestão ambi­en­tal, urban­is­mo e infraestru­tu­ra, pro­je­to de insta­lações pre­di­ais, leg­is­lação, mate­ri­ais e téc­ni­cas de con­strução, con­for­to ambi­en­tal, pais­ag­is­mo e mais uma infinidade de assun­tos rela­ciona­dos. Difer­ente­mente, o design­er de inte­ri­ores, muitas vezes, é um profis­sion­al auto­di­da­ta ou pos­sui um cur­so de cur­ta duração, situ­ação que vem se mod­i­f­i­can­do nos últi­mos anos, mas per­manece como a tôni­ca para a maio­r­ia dos dec­o­radores. Assim, é muito comum que o design­er de inte­ri­ores aux­ilie o arquite­to na definição de soluções dos espaços da obra.

Algu­mas das prin­ci­pais ativi­dades do profis­sion­al da arquite­tu­ra de inte­ri­ores são:

  • Estu­dar os espaços que devem ser con­struí­dos / mod­i­fi­ca­dos;
  • Com­preen­der as neces­si­dades e dese­jos dos clientes;
  • Realizar a inter­me­di­ação entre clientes e fornece­dores;
  • Par­tic­i­par da elab­o­ração do pro­je­to exec­u­ti­vo;
  • Coor­denar os profis­sion­ais ter­ce­i­riza­dos como pin­tores, marceneiros, ges­seiros, eletricis­tas etc.;
  • Definir os tipos de mate­ri­ais e reves­ti­men­tos que serão uti­liza­dos;
  • Par­tic­i­par da elab­o­ração de lay­outs que con­sid­erem os espaços disponíveis/desejados, mobil­iário e espaços de cir­cu­lação;

Vale ressaltar que uma pre­mis­sa no tra­bal­ho do profis­sion­al de arquite­tu­ra de inte­ri­ores é a pre­ocu­pação com aspec­tos como ergono­mia, qual­i­dade da ilu­mi­nação e da acús­ti­ca e prati­ci­dade para os usuários.

Além da for­mação acadêmi­ca, o bom arquite­to está sem­pre aten­to às novas tendên­cias estéti­cas, aos novos mate­ri­ais, às mudanças na leg­is­lação das con­struções e de zonea­men­to urbano, e às novi­dades téc­ni­cas e proces­sos con­stru­tivos.

Custo ou Investimento?

Con­stru­ir ou refor­mar cos­tu­mam causar calafrios em mui­ta gente; além do receio de que algo não fique da for­ma imag­i­na­da ou que as obras demor­em mais que o pro­gra­ma­do, a questão finan­ceira tam­bém dom­i­na os pen­sa­men­tos de quem se envolve nesse tipo de empre­ita­da.

Não pre­cisa ser assim! Ao con­trário do que o sen­so comum pode indicar, con­tratar um arquite­to de inte­ri­ores pode, inclu­sive, reduzir o cus­to total das obras. Além dos con­hec­i­men­tos téc­ni­cos e da qual­i­fi­cação para a definição de mate­ri­ais e padrões estéti­cos, o arquite­to pos­sui exper­iên­cia impor­tante na definição de crono­gra­ma, no geren­ci­a­men­to dos demais profis­sion­ais envolvi­dos e na gestão de cus­tos.

O vídeo Arquite­tu­ra Pop­u­lar #6 | Quan­to cus­ta con­tratar um arquite­to? fala jus­ta­mente das van­ta­gens de con­tratar esse profis­sion­al, mostran­do como ‘faz­er por con­ta própria’ pode traz­er pre­juí­zos diver­sos, como a neces­si­dade de cor­reções e retra­bal­hos, a per­da de val­or em uma even­tu­al ven­da futu­ra do imóv­el, além, é claro, do quan­to esse espaço vai ser con­fortáv­el para você tra­bal­har ou morar ao lon­go de alguns anos.

Se a gente toma con­sciên­cia de que con­tratar um arquite­to não é um luxo, mas uma questão de qual­i­dade e de racional­i­dade finan­ceira se depara então com a dúvi­da sobre como escol­her ade­quada­mente o profis­sion­al a quem del­e­gar a tare­fa de cuidar de sua casa ou escritório, aque­le que vai ter a impor­tante mis­são de com­preen­der seus dese­jos e neces­si­dades e tirá-las do papel. Para essa ativi­dade nada será mel­hor do que envolver-se pes­soal­mente, con­ver­sar com os profis­sion­ais e definir a con­tratação daque­le que mais trans­mi­tiu con­fi­ança; mes­mo assim, seguem 4 Dicas de como con­tratar um arquite­to.

Claro que uma obra traz pre­ocu­pações e nos deixa em esta­do de aler­ta, mas com ess­es cuida­dos e a aju­da de um profis­sion­al qual­i­fi­ca­do para a arquite­tu­ra de inte­ri­ores, as coisas vão fun­cionar muito mel­hor.

Você não vai deixar de realizar algo por não enten­der do assun­to, vai? Con­tar com um arquite­to pode ser mais bara­to do que você imag­i­na. Mãos à obra!