A arquitetura de interiores sob o olhar de Carla Sugahara

ARQUITETA PAULISTANA CARLA SUGAHARA FALA SOBRE A ESCOLHA PELA ARQUITETURA DE INTERIORES E USO DE NOVAS TECNOLOGIAS PARA FACILITAR A INTERAÇÃO COM OS CLIENTES

POR ROBERTA CIVITARESE

revista-dell-ambiente-ma arquite­ta apaixon­a­da por design de inte­ri­ores e pela magia que esse tra­bal­ho pro­move nos ambi­entes. Car­la Sug­a­hara atua prin­ci­pal­mente em São Paulo e região met­ro­pol­i­tana. Em 2005, ela se for­mou em Arquite­tu­ra e Urban­is­mo pela Uni­ver­si­dade Pres­bi­te­ri­ana Macken­zie e, anos depois, foi tra­bal­har com duas ami­gas de fac­ul­dade, parce­ria que pos­si­bil­i­tou agre­gar con­hec­i­men­tos e focar os pro­je­tos nas áreas com­er­cial e de serviços.

O escritório com as sócias gan­hou grande vis­i­bil­i­dade rap­i­da­mente, o que resul­tou em um con­vite para elab­o­rar um ambi­ente para a Casa Cor Trio em São Paulo. O pro­je­to era um restau­rante, que não só fazia parte da exposição, mas tam­bém tin­ha toda a sua parte de infraestru­tu­ra fun­cio­nan­do para aten­der aos vis­i­tantes da mostra.

Uma nova mudança na car­reira surgiu há 4 anos, após a real­iza­ção de um cur­so no IED, Isti­tu­to Europeo de Design, volta­do para arquite­tu­ra de inte­ri­ores. O obje­ti­vo era com­ple­men­tar o con­hec­i­men­to e o resul­ta­do foi a descober­ta de uma paixão pela área e cor­agem para seguir car­reira solo. É para con­tar um pouco mais dessa tra­jetória, influên­cias e uso de novas tec­nolo­gias que a Revista Dell’Ambiente con­vi­dou a arquite­ta Car­la Sug­a­hara para a entre­vista des­ta edição.

REPÓRTERO que te fez escolher a arquitetura?

CARLA SUGAHARA: Des­de peque­na tive mui­ta facil­i­dade com desen­hos, artes man­u­ais e matemáti­ca e sem­pre ouvia de pes­soas próx­i­mas que eu pode­ria ser arquite­ta. Até os meus testes voca­cionais, talvez já com uma cer­ta influên­cia, apon­tavam para a Fac­ul­dade de arquite­tu­ra. Hoje sei que a arquite­tu­ra vai muito além destas três habil­i­dades. Você lida com pro­porções, tex­turas, posição do sol, con­for­to tér­mi­co e acús­ti­co, além de pes­soas, con­tabil­i­dade, empreende­doris­mo e mui­ta tec­nolo­gia.

REPÓRTERSeu foco é a arquitetura de interiores. Qual é a sua principal atuação nessa área?

CARLA SUGAHARAAtual­mente tra­bal­ho mais na área de arquite­tu­ra de inte­ri­ores volta­da para o uso res­i­den­cial. É muito bacana par­tic­i­par do son­ho de cada cliente e elab­o­rar um pro­je­to per­son­al­iza­do para cada esti­lo de vida, jun­tan­do as peças de um que­bra-cabeça com os gos­tos de quem real­mente vai usufruir daque­le espaço e agre­gar o meu con­hec­i­men­to para deixar o ambi­ente agradáv­el e har­mo­nioso.

REPÓRTERQual a importância do designer de interiores tanto em ambientes residenciais quanto empresariais?

CARLA SUGAHARAO design­er de inte­ri­ores é o profis­sion­al que vai ade­quar o escopo do que seu cliente pre­cisa ao espaço que ele tem. Sem­pre levan­do em con­ta o critério ergonômi­co, a fun­cional­i­dade, fluxo e estéti­ca. Além dessa parte de dis­tribuição de ambi­entes e mobil­iários, cabe a ele coor­denar e com­pat­i­bi­lizar os pro­je­tos com­ple­mentares com os profis­sion­ais de cada área que incluem pro­je­to hidráuli­co, pro­je­to elétri­co, pro­je­to luminotéc­ni­co, pro­je­to de ar condi­ciona­do e pro­je­to de com­bate a incên­dio. Alguns out­ros pro­je­tos poderão ser necessários de acor­do com o tipo de imóv­el.

REPÓRTERQue aspectos considera mais importantes em uma decoração?

CARLA SUGAHARAAcho impor­tante que seja lev­a­da em con­ta a estéti­ca, mas tam­bém a prati­ci­dade dos usos, da limpeza, da fun­cional­i­dade e prin­ci­pal­mente o equi­líbrio na escol­ha dos móveis, obje­tos e cores.

REPÓRTERComo desenvolve seus projetos? Inspiração, processo criativo, etc…

CARLA SUGAHARAAntes de ini­ciar os estu­dos pre­lim­inares sem­pre faço uma reunião com o cliente – no local ou com a plan­ta em mãos – para enten­der as reais neces­si­dades dele. Nes­ta primeira con­ver­sa, ele tam­bém me fala um pouco sobre os seus gos­tos estéti­cos, quan­tas pes­soas vão uti­lizar o local, como é o dia a dia, se tem algum hob­bie, se tem algum móv­el especí­fi­co que queira aproveitar ou incluir no novo espaço. Engraça­do que nes­ta primeira con­ver­sa já começo a ter vários insights de alguns pon­tos do pro­je­to, sejam estes o detal­he de um móv­el, uma ilu­mi­nação para destacar algo, um for­ro difer­ente, o que de mais atu­al e tec­nológi­co com­bi­na com este cliente e uma infinidade de coisas. Obvi­a­mente, vemos que no desen­ro­lar dos estu­dos nem tudo se man­tém, mas o proces­so de cri­ação é jus­ta­mente isso… É um brain­storm [tem­pes­tade de ideias] que no final a gente con­sid­era no pro­je­to o que real­mente se encaixa no gos­to do cliente com o que é fun­cional e bacana.

REPÓRTERE para visualizar todas essas ideias, o uso de tecnologia é cada vez mais apreciado pelos clientes… Como é essa parte do trabalho?

CARLA SUGAHARAPara que o cliente com­preen­da mel­hor a pro­pos­ta do pro­je­to cos­tu­mo sem­pre colo­car fotos de refer­ên­cia na apre­sen­tação e tam­bém levar para a reunião algu­mas amostras de acaba­men­tos para eles poderem “sen­tir” as cores reais, a tex­tu­ra e as com­bi­nações. E o que tem aju­da­do demais nes­sa com­preen­são de como vão ficar os espaços são as maque­tes eletrôni­cas! A cada ano que pas­sa, essa tec­nolo­gia avança de uma tal maneira que hoje os 3Ds estão muito mais real­is­tas e os clientes ficam super impres­sion­a­dos e con­tentes com o resul­ta­do. Mais recen­te­mente ten­ho tra­bal­ha­do tam­bém com os ócu­los de real­i­dade vir­tu­al, os quais são bem pare­ci­dos com os usa­dos para games. A imagem em 3D é cri­a­da através de pro­gra­mas especí­fi­cos para arquite­tu­ra que, jun­ta­mente com os aplica­tivos de celu­lar e os ócu­los, o cliente con­segue ver o ambi­ente em 360° de for­ma inter­a­ti­va, de acor­do com os movi­men­tos da cabeça.

REPÓRTERE que ambiente você gosta mais de projetar?

CARLA SUGAHARAAdoro pro­je­tar sala de estar, prin­ci­pal­mente as que são jun­to com a sala de jan­tar! A sala de estar é aque­le ambi­ente onde todos da família se reúnem e pas­sam a maior parte do tem­po seja para assi­s­tir a um filme ou jog­ar con­ver­sa fora. É um lugar que muitas vezes tam­bém é a sala de visi­ta, então tem que ser super aconchegante e ao mes­mo tem­po sofisti­ca­do… A sala de jan­tar já é um chama­riz, pois sem­pre tem um lus­tre que é prati­ca­mente uma escul­tura que logo chama a atenção de quem entra na casa. Nestes ambi­entes tam­bém é pos­sív­el “brin­car” mais com os mate­ri­ais, usar reves­ti­men­tos difer­entes, espel­hos, quadros de diver­sos esti­los, obje­tos dec­o­ra­tivos e plan­tas… Ahh.. Eu adoro plan­tas e flo­res! Acho que trazem vida para den­tro de casa e com­bi­nam com qual­quer esti­lo e qual­quer cor.

REPÓRTERHá um estilo com o qual se identifique mais?

CARLA SUGAHARAAcred­i­to que eu me iden­ti­fique mais com o esti­lo con­tem­porâ­neo mas, sin­ce­ra­mente, acho que não exista uma regra ou um esti­lo definido. É tudo uma questão de equi­líbrio. Em se tratan­do da parte de inte­ri­ores, podemos até mesclar alguns esti­los para cri­ar uma iden­ti­dade úni­ca ao pro­je­to. Temos como exem­p­lo o con­cre­to, que é um mate­r­i­al que se desta­cou no movi­men­to mod­ernista e que con­tin­ua super atu­al seja ele uti­liza­do no piso, na parede ou até no teto! E como ele pos­sui um ar mais rús­ti­co e indus­tri­al, cos­tu­mo usar ele­men­tos em madeira para deixar o ambi­ente mais aconchegante, ou um lus­tre mais refi­na­do para deixar o espaço mais sofisti­ca­do ou uma poltrona em teci­do col­ori­do para que­brar a serenidade do cin­za.

Às vezes tam­bém o cliente tem um obje­to que ele trouxe de algu­ma viagem, ou uma poltrona dos anos 30 her­da­da da avó ou algum espel­ho com uma moldu­ra mais tra­bal­ha­da e acho que a gente pode, e deve, incor­po­rar estes ele­men­tos na dec­o­ração. São estes pon­tos que cri­am uma iden­ti­dade úni­ca a cada pro­je­to e, se colo­ca­dos nos lugares cor­re­tos for­mam um ambi­ente total­mente har­mo­nioso e difer­ente.

REPÓRTERAtualmente o que você vê como in e out na arquitetura de interiores?

CARLA SUGAHARAA sus­tentabil­i­dade é um assun­to muito impor­tante a ser debati­do e apli­ca­do, prin­ci­pal­mente na arquite­tu­ra. Por­tan­to, o que podemos con­sid­er­ar in na arquite­tu­ra de inte­ri­ores atu­al é a pre­ocu­pação com o meio ambi­ente tan­to no pro­je­to quan­to na exe­cução (obra). Como exem­p­lo vemos as grandes indús­trias na área de arquite­tu­ra rein­ven­tan­do seus pro­du­tos para reduzir o con­sumo de água (torneiras e descar­gas), cri­ar mate­ri­ais biode­gradáveis que não poluem os lençóis freáti­cos (tin­tas, vernizes, tel­has etc), reduzir o con­sumo energéti­co (lâm­padas em led e pla­cas solares), uti­lizar a madeira de for­ma con­sciente (de reflo­resta­men­to ou cer­ti­fi­ca­da) e por aí vai…

Em relação ao que é out na arquite­tu­ra de inte­ri­ores é muito com­pli­ca­do de falar, pois depende muito do con­tex­to no qual o pro­je­to é elab­o­ra­do. Acho que vale a sen­si­bil­i­dade na hora da escol­ha o que colo­car, onde colo­car e quan­to colo­car.